segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A DIMENSÃO NOÉTICA

 


A ideia central deste trabalho é que o Universo pode ser feito de pequenas unidades de informação, chamadas “tripletos”. Cada tripleto é como um mini-bloco magnético que guarda informação e que, quando muitos se ligam entre si, formam tudo o que existe: espaço, tempo, luz, matéria e até as forças da natureza. O modo como esses tripletos se organizam cria padrões estáveis que vemos como partículas e forças, e o fluxo de informação entre eles dá origem ao que percebemos como gravidade e curvatura do espaço. Assim, em vez de o Universo ser feito e conter “coisas”, ele seria feito de informação a fluir, mantendo-se estável através de mecanismos naturais de correcção, como um código muito bem estruturado. A realidade, nesta visão, é essencialmente uma rede inteligente de informação – a Consciência. Daqui nasce uma nova Ética baseada no Conhecimento, uma nova gnose para o futuro.

Uma Teoria da Consciência

 

Proponho-vos explorar um novo território. Uma espécie de zona intermediária, um domínio onde reina a Informação que embora adquirindo forma, guarda memória da sua origem. É o território que dá corpo à Dimensão Noética, parecendo no entanto sempre oculta nas transformações que modela e orienta, tal como um tensor, agora dimensionalmente fisio-ético, ao inscrever gradientes informacionais, os construtores da realidade fenoménica, expressos nas constantes universais, naquilo que é possível e do que é impossível.

 

A Noética, entendida como o domínio inteligível da Realidade última, pretende ser a matriz das formas e princípios que sustentam a totalidade do cosmos. Nela, fazemos habitar os arquétipos platónicos, as ideias puras, a simbologia da formalidade matemática, e os padrões de coerência que antecedem o espaço-tempo, a manifestação de todas as intuições, o espectro das sincronicidades.

 

Contudo, entre a ordem pura e o nosso mundo fenoménico, há um “campo” de transdução, uma ponte de fluxo e reciprocidade, onde os conteúdos noéticos se convertem em múltiplas expressões energéticas, biológicas e de significado semântico – o “campo” da Fisioética.
Deste modo, a Fisioética é o gradiente dinâmico que traduz a Informação noética em manifestação sensível, a curvatura gravítica que a inteligência universal assume ao atravessar o limiar da densidade e da materialidade, tal como as margens dizem ao rio para onde ir, e o rio vai entretanto modelando as margens que o contêm.

 

Na óptica da física contemporânea, poderíamos dizer que a Fisioética representa o tensor informacional que medeia a projecção da Dimensão Noética sobre a métrica do espaço-tempo, representando o elo entre o domínio da coerência e o da causalidade. Para a hipótese do modelo da Teia Informacional Fibrada (TIF), corresponde ao movimento pelo qual os tripletos de spins, as unidades elementares da Consciência, modulam o equilíbrio entre ordem e liberdade (ou entropia), o mesmo é dizer, entre unidade e multiplicidade.

Assim, viver de acordo com a Fisioética do cosmos significa tornar-se cada vez mais transparente à Noética, permitindo que a inteligência primordial se exprima através de nós com menor resistência, como uma corrente que reencontra o curso natural do rio. Nesse estado de consonância, o ser humano deixa de ser mero espectador do Universo para tornar-se co-autor do processo de manifestação, transformado em agente consciente do tecido informacional que une o visível ao invisível. Privilégio único no reino biológico!

 

Proponho-vos, portanto, explorar esta passagem deste território, da ideia à forma, do arquetípico ao físico, do silêncio à semântica, como ciência participativa, no entanto sempre tentando estar longe da fácil atracção pela pura especulação filosófica.

 

De forma breve, convém recordar alguns conceitos básicos que informam a proposta do nosso modelo da Teia Informacional Fibrada – TIF, (Porto, J., 2025). Impõe-se, antes de prosseguir, a necessidade de situarmo-nos no amplo contexto actual do “estado da arte” das teorias sobre a Consciência.

 

Falar sobre um modelo operativo para a Consciência não é tarefa fácil. Que o diga Robert Lawrence Kuhn (2024) em A landscape of consciousness: Toward a taxonomy of explanations and implications. Depois de identificar 325 teorias sobre a origem da Consciência, continua no entanto a afirmar, nas suas reflexões finais daquele trabalho (ver pp.156):

 

To be clear, I am not saying that the ultimate theory is already here on the Landscape, hidden in plain sight, but rather whatever the ultimate theory turns out to be, its fundamental elements could be categorized according to Landscape structure, with family resemblances to some current theories.”

 

Resultante desse trabalho concebeu um mapa linear que denominou “A Landscape of Consciousness” onde organiza mais de 300 teorias da Consciência, dividindo o terreno em 10 categorias principais, num espectro taxonómico que abarca teorias desde as mais estritamente fisicalistas até aquelas radicalmente idealistas, todas heroicamente revisitadas por ele, e de que resultou um vídeo no Youtube (https://youtu.be/sM3ZvP7zb0g).

 

Apresentamos um resumo das categorias que formam a espinha dorsal do mapa, acompanhadas de uma breve descrição individualizada:

 

1. Teorias do materialismo – vários subtipos: filosófico, neurobiológico, electromagnético, computacional/informacional, homeostático/afectivo, incorporado/enactivo, relacional, representacional, evolução linguística/filogenética. Representam a grande maioria das teorias mas também aquelas, que pelo seu número, parecem esgotar no âmbito da óptica materialista qualquer explicação viável para a Consciência.

 

2. Fisicalismo não redutivo – visões que aceitam o fisicalismo, mas defendem aspectos emergentes ou não redutíveis da Consciência.

 

3. Teorias Quânticas – aquelas que apelam para fenómenos de natureza quântica, campos e entrelaçamento para explicar a Consciência. Representam um dos maiores desenvolvimentos actuais com vertentes importantes para futura exploração científica.

 

4. Teoria da Informação Integrada (IIT) – embora alguns a tratem como uma única família, Kuhn coloca-a como um grande grupo com características próprias.

 

5. Panpsiquismo(s) – teorias que postulam a Consciência (ou proto-consciência) como omnipresente e fundamental.

 

6. Monismos – por exemplo, o monismo neutro, que sustenta que a mente e a matéria compartilham um substrato mais básico.

 

7. Dualismos – dualismo clássico mente versus corpo, interaccionista ou não, em que a Consciência ou a Mente é ontologicamente distinta do físico.

 

8. Idealismo – teorias em que a Consciência é primária e o físico é derivativo (por exemplo, idealismo analítico, cosmopsiquismo).

 

9. Teorias de estados anómalos e alterados – teorias que se concentram em estados não comuns: místicos, alterados, experiências de quase morte, etc.

 

10. Teorias desafiadoras – posições que questionam se a Consciência é o que pensamos que é, ou mesmo se é um fenómeno real como normalmente concebido (por exemplo, ilusionismo).

Segue-se o mapa retirado do papper já referenciado, para maior elucidação e contexto:


 

Quadro I – Mapa das Teorias da Consciência segundo Kuhn

 

Permite fornecer uma visão contextual situando o nosso modelo da Teia Informacional Fibrada (TIF) ao poder encaixá-la ou cruzá-la com outras teorias. Forçosamente ele irá encaixar-se em algumas Teorias, como Quânticas, IIT, Panpsiquismo ou mesmo Idealismo, porque estabelece possíveis diálogos ou desenvolve criticismos quando a visão do campo informacional não-local permite explicar os mais recentes desafios presentes no domínio dos resultados saídos da investigação na Física Quântica ou na Astrofísica/Cosmologia ou da Biologia.

O mapa é unidimensional (no sentido de possuir um espectro linear) e, portanto, simplifica necessariamente o que provavelmente é um espaço multidimensional de teorias. Aliás, Kuhn reconhece esta limitação que não favorece a fácil inclusão da TIF. Esta não se enquadra num único ponto, pois atravessa níveis do conhecimento. Por exemplo ao propor ligações com as tradições ancestrais védicas, budistas ou gnósticas, podemos situá-la entre o Idealismo, Dualismo, Panpsiquismo, o Idealismo Informacional e o Realismo Participativo (Wheeler, Bohm, Faggin), já para não referir a categoria dos estados anómalos e alterados da Consciência (categoria 9).

A TIF caracteriza-se sobretudo como um modelo unificador, mas se fosse para integrá-la no mapa de Kuhn teríamos que fazer sobressair os seus aspectos mais identificadores: não reduz a Consciência à física (vai além do emergentismo), não é puramente mentalista, pois preserva uma estrutura informacional objectiva, e integra Consciência e Informação como duas faces de um mesmo campo quântico fibrado, o que a coloca num eixo ontológico entre o Idealismo Estrutural e o Realismo Participativo.

Figura I – A visão unificadora da TIF

 

Propriedades do modelo TIF

 

A TIF, na sua essência, constrói-se como teoria eminentemente quântica, evoluindo entre o materialismo e o não-fisicalismo, ao laborar sobre um pré-espaçotemporal fibrado (ver a noção matemática/geométrica de fibrado [1]), composto por tripletos de spins qutriticos (em vez de qubits. Ver Porto, J. 2025. Topologia da Luz, pp. 313. Ed. Bubok Publishing S. L.). Ali, cada tripleto (𝑠1,𝑠2,𝑠3) constitui uma unidade lógica de coerência informacional. Ou seja, em cada ponto do espaço-tempo existe uma correspondência de um tripleto de spins onde em cada nodo coerencial desenvolve-se combinações lógicas específicas (talvez aquelas “nove dimensões” referidas por Dan Brown em O Segredo dos Segredos [2]), que serão dadas por:

 

Explicitando melhor: cada tripleto de spins (↑↓↑, etc.) codifica um qutrit lógico (três estados base ortogonais 0, 1, 2), de modo que cada nodo coerencial (Ni) da malha quântica TIF pode ser visto como um vértice fibrado como mostra simbolicamente a figura II e formalmente a igualdade:

 


 


Figura II

 

O Universo, portanto, seria o holograma projectado pela TIF, uma vez que a informação não está contida no seu volume, mas codificada nas correlações de fase (os “padrões de fronteira” nos hologramas) de uma dimensão informacional anterior ao espaço-tempo. O volume é uma manifestação derivada da coerência, uma projecção tridimensional de uma geometria bidimensional de fase.


Uma vez que, o Princípio Holográfico indica que:


onde o comprimento e a área de Planck são dadas por:

significa que toda a descrição volumétrica pode ser reconstruída a partir da informação de fronteira (tal como é suposto acontecer nos Buracos Negros, os “rasgões” do espaço-tempo), mas não que o volume possua a informação física. Neste caso, ela pertence ao domínio fibrado. Esta fronteira é interna, não espacial, porque é o domínio de coerência dos tripletos de spin, onde a fase relativa entre os três constituintes (com spin-up/spin-down) define um ponto no espaço de informação anterior ao próprio espaço-tempo físico. Como se cada volume de espaço-tempo tivesse por detrás uma rede fibrada que o sustentasse, de tal modo que a geometria local do espaço-tempo emerge quando as correlações de fase entre estes nodos obedecem a uma condição de consistência global (análogo à integrabilidade de uma conexão em geometria fibrada).

Resumindo, o espaço-tempo é topológico resultante da coerência entre aqueles nodos, de modo que o volume físico é apenas um domínio projectado onde as correlações de fase entre nodos se tornam mensuráveis, possibilitando a experiênciação de qualia, como distância, massa, energia ou curvatura (gravitação).

Abandone a ideia do Universo como um espaço vazio com coisas dentro, mas conceba-o como uma teia viva de informações, como se cada ponto do espaço-tempo que nos aparece como a realidade fosse afinal um pequeno nodo de Consciência que troca sinais (informação) com os outros. Assim sendo, cada nodo seria caracterizado por conter informação (o que ele “sabe” sobre si e sobre o todo); coerência (como é que essa informação se harmoniza com o resto), e potencial de manifestação física (o que aparece como matéria, energia, espaço e tempo). Esta teia é o que chamamos de Teia Informacional Fibrada (TIF).

Não fiquemos por aqui e desçamos em profundidade nesta viagem virtual! Agora imagine que o Universo tem dois níveis entrelaçados. Por um lado o “chão” da verdadeira realidade, um “campo informacional” invisível, onde estão os padrões de relação (a Base B). Do outro lado, desse “chão” saem fios ou fibras que saem de cada ponto desse chão, carregando cada fio estados internos possíveis (as fibras Fb). O modo como cada fio se liga ao “chão” designamos por projecção (representada pela letra π), a que faz a ligação entre informação e geometria topológica. Ou seja, cada ponto do “chão” tem o seu próprio conjunto de fios que representam os seus “estados potenciais” que na sua totalidade formam uma grande rede entrelaçada, que é afinal o Universo informacional anterior ao próprio espaço-tempo topológico.

Agora, imagine que entre esses fios há um campo invisível de coerência, que faz com que as vibrações de um nodo entre em ressonância com as dos outros. Este campo é a Consciência participativa, que matematicamente, chamamos de conexão (representada pela letra 𝜔), e que indica como os estados locais se alinham para formar uma estrutura global coerente, o que, “visto” de fora, percebemos como espaço-tempo contínuo, porque a coerência entre os fios cria uma ilusão de continuidade, tal como os pixéis de uma tela criam a imagem fluida de um filme. Então podemos dizer que o espaço-tempo é o “filme” que vemos, e que a teia informacional é o projector que o gera. Quando as vibrações da teia entram em equilíbrio global, surge a experiência compartilhada do “mundo físico”, a qualia do tempo, distância, matéria.

O que é uma estrutura fibrada? Podemos sempre imaginar um campo de linhas muito finas, como fios de seda atravessando cada ponto do espaço. Cada ponto (da “base”) tem anexado um pequeno espaço interno (a “fibra”) que contém os estados internos de informação, ou seja, orientações de spin, fases quânticas, ou modos de Consciência. Então a base é o mundo que percebemos (coordenadas espaço-temporais), e a fibra será o domínio oculto que carrega as “possibilidades informacionais” de cada ponto. Um “espaço fibrado” é como uma malha onde, em cada ponto, existe uma microestrutura invisível que armazena a informação daquilo que constitui a realidade fenoménica. Imagine um tecido “vivo”, onde cada ponto do tecido tem um pequeno redemoinho que guarda informação e vibra em harmonia com os outros. Quando estes redemoinhos se alinham, o Universo visível aparece, como uma imagem holográfica projectada a partir de uma rede coerente. Esta é a explicação para aquela pergunta que todos fazem: como é possível que mais de 99,9999999999999 %, da matéria seja espaço ou seja, 10¹ vezes mais espaço do que matéria sólida, e no entanto esta apresenta estrutura e forma? A razão de tanto espaço vazio, seja nos domínios macro como micro. Este suposto “vazio” é campo quântico, flutuação de spins e energia de ponto zero. Se o núcleo tivesse o tamanho de uma bola de golfe, o átomo teria o tamanho de um estádio de futebol com os electrões formando uma neblina estatística de probabilidades ao seu redor. Na visão da Teia Informacional Fibrada, este “vazio” não é realmente vazio, mas é a sede do domínio fibrado que sustenta a organização quântica dos spins. Ou seja, o espaço ocupa quase tudo, por ser o portador da informação que faz a matéria parecer sólida e que as galáxias não se desmembrem (sem necessidade de introduzir a clássica matéria escura).

Resumindo: O espaço-tempo, a “tela holográfica”, é o meio onde se desenvolve uma rede viva de informação, o nível informacional puro, onde tudo ainda está em estado de possibilidade (não existe “colapso de onda”), o código invisível que está por detrás de uma teia onde cada nodo Fb vibra com uma centelha de Consciência, cuja coerência entre todas as centelhas, a conexão 𝜔, produz qualia, o fluxo do tempo e a estrutura do espaço.

 


Figura III Representação simbólica da estrutura pré-espaçotemporal

 

Um rácio fundamental

Uma das questões mais fundamentais da cosmologia moderna prende-se com o rácio entre radiação e matéria (bariónica + matéria escura) no Universo, baseada nos valores actuais de acordo com o Planck Collaboration 2018/2020 e as estimativas de 2024 da cosmologia de precisão [3]. Enquanto a matéria total (bariónica + escura) Ω𝑚 ≈ 0.315 ou seja, 31,5% da densidade crítica do Universo, a radiação total (fotões + neutrinos relativísticos) Ω𝑟 ≈ 9.2 × 10−5, ou seja representa 0.0092% da densidade crítica, o que implica um rácio directo de

.

Ou por outras palavras, presentemente a radiação é cerca de 0,03% da matéria ou 1 parte de radiação para ~3.400 partes de matéria. Mas nem sempre foi assim, pois no Universo primordial (anterior a ~47.000 anos após o suposto Big Bang), a radiação dominava completamente, dado que a energia térmica era altíssima. Nesse período 𝜌𝑟 > 𝜌𝑚, e só depois da transição da era da radiação para a era da matéria, a densidade da radiação caiu mais rápido ( a⁻⁴) do que a da matéria ( a³).

Gráfico I – Evolução do rácio radiação vs matéria no Universo


O gráfico mostra como a densidade da radiação (em azul) cai mais rapidamente que a densidade da matéria (em laranja) ao longo do tempo cósmico. A linha tracejada marca a transição, por volta de 47 000 anos após o Big Bang, quando o Universo deixou de ser dominado por radiação e passou a ser dominado pela matéria, uma inflexão essencial para a formação das futuras estruturas cósmicas.

Se retirarmos a influência atribuída à matéria escura clássica, aquele rácio toma o valor (valor que depende ligeiramente do valor adoptado para (constante de Planck) e da contagem de neutrinos relativísticos):

Isto significa que actualmente a radiação representa ≈ 0,186% da matéria bariónica, ou dito de outra forma, há cerca de 1 parte de radiação para cada ~538 partes de matéria bariónica.

Ora, no caso da TIF existir, ela vai comportar-se como matéria não bariónica ( 𝑤 ≈ 0 , i.e. contribui para a matéria total mas não para Ω𝑏), logo o rácio ρrb  permanece ≈ 1.86×10³.  A TIF aumentaria a matéria total, mas a comparação especificamente bariónica versus radiação não mudaria. Em todo o caso, mesmo que se a TIF implicasse aumentar Ωb directamente, por exemplo, convertendo Informação em massa bariónica, ou seja se comportasse como radiação, (neste caso com equação de estado w ≈ 1/3), o rácio cairia, mesmo com uma ΩTIF=10−3 adicionada a Ωb reduziria o rácio marginalmente para ≈1.83×10³.

Se a TIF efectivamente contribuísse como radiação de forma apreciável (ΩTIF10−3), isso apareceria nas medições do CMB (Cosmological Microwave Background ou radiação cósmica de fundo) e da nucleosíntese primordial, coisa que não se verificou até hoje. Comportando-se como matéria ”escura” (não-bariónica), ela pode assumir um valor grande sem alterar o rácio bariónico/radiação, o que implicaria então poder figurar como parte de um “sector escuro expandido” [4]. Mas, mesmo que a TIF fosse essencialmente campo informacional com comportamento de vácuo, tipo lambda Λ (energia quase constante), também não mudaria o rácio bariónico/radiação.

Em formato resumido, se a TIF não acrescenta radiação relativística significativa, o rácio bariónico/radiação praticamente não muda, continuando ≈ 1.86×10³ tal como hoje. Supondo que a TIF se manifestaria como radiação (pouco provável em grande escala por limites experimentais já revelados), o rácio poderia aumentar, ou seja para ΩTIF10−3 a radiação passaria a representar ~2% da matéria bariónica, considerado um aumento notável. Para manter o rácio radiação/matéria bariónica igual ao verificado experimentalmente (a menos de ~1%), teríamos que atribuir à TIF, se realmente a TIF se comportar como radiação, uma densidade em torno de

Contudo, se aceitar uma tolerância maior (5 a 10%), a ΩTIF pode subir para ~5×10−6 a 9×10−6, e valores muito acima disto não são aconselháveis uma vez que entram em conflito com as restrições observacionais aceites.

O cenário mais plausível, constatados os limites observacionais, é que a TIF entre na equação da estrutura do Universo como uma componente do “sector escuro expandido” ou então como campo de energia (com um comportamento tipo Λ – Constante Cosmológica), o que em ambos os casos faria com que o rácio permanecesse essencialmente o mesmo.

Numa simulação deste último cenário, partimos da assumpção de que em todos os casos em que a TIF se comporta como matéria (não bariónica) ou como energia do vácuo, não se altera o rácio ρrb (no gráfico II representado pela linha pontilhada), porque nem Ωr nem Ωb são alterados por essa atribuição, pois o que muda é apenas a composição do sector escuro total que designaremos por Ωc e/ou ΩΛ.

Deste modo, foi gerado um gráfico com valores plausíveis de ΩTIF para diferentes interpretações da TIF no “sector escuro”/Λ-like, e mostramos uma linha pontilhada que representa o rácio ρrb que permanece essencialmente inalterado nestes cenários.

Os cenários em consideração, com os respectivos valores usados foram:

a) TIF como 100% da matéria escura: ΩTIF ≈ 0.265 (≈ Ωc).

b) TIF como 50% da matéria escura: ΩTIF ≈ 0.1325.

c) TIF como 10% da matéria escura: ΩTIF ≈ 0.0265.

d) TIF como 100% da energia escura/Λ-like: ΩTIF≈0.685 (≈ ΩΛ).

e) TIF como 50% da energia escura/Λ-like: ΩTIF ≈ 0.3425.

f)  TIF diminuta (observationally safe related to radiation): ΩTIF=10−6.

Gráfico II - Valores plausíveis de ΩTIF em diferentes cenários

 com a TIF no “sector escuro” ou Λ-like

 

Em conclusão, os valores de ΩTIF possíveis mostram que a TIF:

i. Pode existir sem alterar o rácio radiação/matéria bariónica, desde que não contribua de forma relativística, isto é, desde que não se comporte como radiação adicional;

ii. Pode entrar como sub-componente do sector escuro, assumindo um papel equivalente à matéria escura tipo informacional ou a uma energia de vácuo coerente, tipo comportamento Λ-like.

Assim, a TIF é compatível com os parâmetros observacionalmente apurados, desde que assuma os valores ΩTIF 0.3 para o caso de ser considerada como dark matter-like, ou ΩTIF 0.7 para a consideração tipo dark energy-like.

Por outro lado, considerando o rácio ρrb (radiação/matéria bariónica), fortemente determinado pela Nucleosíntese primordial e pela anisotropia presente no CMB, não é afectado pela TIF se esta não interagir directamente com a radiação (como fotões), e a sua energia não variar com a temperatura (i.e., não permitir termalização).

Na realidade a nossa hipótese é consistente com o facto de a TIF ser uma teia pré-espaçotemporal informacional, anterior à diferenciação entre energia e matéria, não requerendo ajuste fino nos parâmetros cosmológicos observados.

No quadro teórico da TIF, a manutenção do rácio experimental sugere que a quantidade de informação condensada (matéria) e em fluxo (radiação) já está “pré-sintonizada” pela estrutura informacional da TIF, fornecendo uma explicação ontológica profunda relativa ao equilíbrio observacional constatado entre radiação e matéria, que pode reflectir uma simetria informacional fundamental inerente ao pré-espaço-tempo.

Outras implicações surgem naturalmente deste quadro. Se a TIF actua como campo de coerência quântica do vácuo, então a sua densidade de energia (ΩTIF ≈ ΩΛ) explica naturalmente a expansão acelerada como um efeito informacional colectivo, e não como uma constante cosmológica ad hoc. Também se actua como campo de matéria escura informacional, pode gerar influências gravitacionais sem acoplamento directo à radiação, preservando o rácio ρrb.

Em resumo, o modelo TIF é compatível com a cosmologia e os seus valores tão precisos, desde que a sua contribuição efectiva a insira no sector escuro, e não altere a densidade bariónica nem a radiação observável. Tal a verificar-se apoiaria a hipótese de que o espaço-tempo e a matéria são manifestações diferenciadas de uma mesma teia informacional de natureza quântica.

 

 A TIF uma teoria unificadora calibrada

Diz o teorema de Noether que “A existência de uma quantidade conservada indica a presença de uma simetria na teoria”. Para perceber esta ideia, imaginemos uma esfera e coloquemo-nos no seu centro: para onde quer que olhemos (operação que se designa por rotação de fase) a simetria é perfeita porque a quantidade conservada é o raio que é constante em qualquer que seja a direcção. Se houver uma quebra de simetria isso significa que o raio é diferente.

No contexto da física, simetria significa uma transformação que podemos aplicar ao sistema sem alterar as leis que o descrevem, como rodar um copo à volta do seu eixo, não tem qualquer efeito porque ele continua o mesmo. Na física de partículas, essas “rotações” não são no espaço comum, mas em espaços internos chamados espaços de fase, espaços de carga, ou espaços de estados quânticos. Estas simetrias internas são descritas por grupos de simetria. Um grupo é um objecto matemático que reúne elementos semelhantes e que está dotado de uma lei que descreve como devem ser combinados. No Modelo Padrão, os três grupos fundamentais são conhecidos por U(1), SU(2) e o SU(3).

Imagine um vector de tamanho constante (a quantidade em Noether) num círculo (por exemplo um ponteiro de um relógio). Rodar esse ponteiro por um ângulo qualquer sobre o quadrante não muda o círculo, pois a quantidade é conservada. Matematicamente seria expresso por 𝑈(1) = {𝑒𝑖𝜃 𝜃 𝑅}, ou seja apenas são executadas multiplicações por uma fase complexa. Na Física isto corresponde à simetria responsável pela carga eléctrica. As partículas podem mudar de fase, mas as leis da natureza permanecem as mesmas e o campo que “acompanha” esta simetria é o fotão. Ou seja o grupo U(1) é o grupo das “rotações de fase” em que mudanças invisíveis só afectam a carga eléctrica.

Por outras palavras U(1), a chamada simetria unitária de ordem 1, é uma espécie de rotação que descreve o fotão e as interacções electromagnéticas.

SU(2), S de special, faz o mesmo para a interacção fraca com os bosões W+, W- e Z (3 geradores, equivalentes às rotações em 3 direções), exercendo a simetria de rotações em 3 dimensões internas. O grupo das rotações num espaço interno que se comporta como o espaço 3D, mas aplicado aos “estados fracos” das partículas. SU(2) é como uma “bússola quântica tridimensional” que roda estados internos das partículas fracas, e essas rotações podem transformar um neutrino num electrão (antes da quebra de simetria). Sem estas rotações a Vida seria impossível!

SU(3) é ainda mais rico, e funciona para a interacção nuclear forte com os gluões. Trata-se de matrizes 3×3 unitárias de determinante 1, e tem 8 geradores (os gluões que são em número de 8 campos de força, responsável por “colar” quarks para formar protões e núcleos atómicos). É o grupo que mistura as três “cores” dos quarks: vermelho, verde e azul. Estas “cores” são as cargas da interacção nuclear forte. Ou seja, um quark pode “rodar” no espaço daquelas “cores”, por exemplo vermelho pela mistura de verde e azul, etc. SU(3) é o grupo das “misturas entre cores” que mantém os quarks sempre confinados.

Se U(1) foi concebido como um relógio em que rodamos o ponteiro (fase), então SU(2) poderá ser imaginado como um giroscópio com as suas rotações em 3 eixos internos, e SU(3) será uma roda de cores RGB em que as misturas constantes das cores mantém a intensidade total.

Quadro II – Resumo dos modos de simetria

Grupo

Tipo de simetria

Espaço interno

Nº de geradores

Força associada

U(1)

Rotação de fase

Carga eléctrica

1

Electromagnética

SU(2)

Rotações 3D internas

Isospin fraco

3

Força fraca

SU(3)

Misturas de 3 componentes

“Cores”

8

Força forte

Estas três interacções ou forças fundamentais do Universo vão corrigir todas as anomalias que não respeitam um raio constante (o ponteiro do relógio). Se substituirmos o raio por cargas electromagnéticas que agora são as quantidades conservadas teremos uma analogia com a física das partículas. A isto chama-se calibrar uma teoria, ou seja torná-la simétrica localmente em todos os pontos do espaço-tempo, o que é feito com a adição de um novo termo que corresponde, por mais incrível que pareça, às “partículas” mediadoras das interacções electromagnética (fotão), força nuclear fraca (W+, W- e Z) e força nuclear forte (gluões). A natureza parece que revela deste modo uma verdade profunda sobre si própria, revelando que assenta numa construção global que reflecte beleza e perfeição, ao mínimo pormenor, ao ter introduzido os bosões ou as forças de interacção para restaurar a simetria inicial perdida quando do eventual Big Bang cosmológico.

Com isto queremos dizer que qualquer formalismo matemático exige uma simetria oculta, o que implica a existência automática de interacções que consubstanciem e suportem essa simetria, mas que se comportam como autênticas restrições que vão definir todas as relações que elas próprias (as forças de interacção) poderão manter com as partículas com que interagem. Isto vai definir um quadro vasto de decaimentos que reflectem tempos de vida das partículas, massas e cargas e transformações como se todas as partículas do Modelo Padrão fossem afinal manifestações de uma entidade única.

Essa entidade única foi assumida em 1974, por Howard Georgi e Sheldon Glashow, como sendo uma nova simetria designada por SU(5) que agruparia todas as outras. Um constructo ideal e muito belo que lançava no entanto previsões que poderiam ser investigadas: o protão deveria decair em menos de 1030 anos (o Universo tem pouco mais de 1010 anos), o que nunca foi verificado pela experiência Kamiokande no Japão, cujos investigadores afirmam que o protão vive mais de 1034 anos.

A ausência do decaimento do protão exige novas partículas de força, as grandes unificadoras, que mantenham a simetria, e que deverão ser extremamente pesadas, acima de 1015 vezes a massa do protão. As energias envoltas actualmente pelo CERN, não chegam à décima milionésima da energia necessária! Logo, a pesquisa do campo de força da simetria unificadora continua em aberto. Outras hipóteses foram estudadas, entre as quais se destacam a teoria da supergravidade e a SU(10).

O modelo da Teia Informacional Fibrada (TIF) enquadra-se nesta temática dos grupos SU(N). Tripletos de spins como “átomos de simetria” onde a unidade fundamental não é o ponto do espaço-tempo, mas um tripleto de qubits de spin (ou qutrit lógico emergente), capaz de suportar rotações internas. Aqui cada triplet pode ser visto como um espaço informacional de dimensão 3,com transformações internas que preservam a norma do estado informacional. Ora, isto é precisamente o que os grupos SU(N) fazem ao transformarem estados internos de dimensão N preservando contudo a norma.

Façamos então uma viagem pelas simetrias anteriormente apresentadas mas desta vez em profunda consonância com as características da TIF.

A ligação com U(1) será feita considerando que ele representa a  fase global do tripleto que irá definir a carga eléctrica. Cada tripleto de spins possui uma fase global informacional expressa por ψeψ.

Esta fase corresponde a uma rotação da teia informacional na dimensão pré-espaçotemporal, a uma reorganização da orientação dos três spins de fundo, e a um desfasamento coerente entre tripletos vizinhos, o que é exactamente o grupo U(1).

Neste caso, a carga eléctrica surge como uma resistência da teia à mudança adiabática da fase informacional global do tripleto, cujo mecanismo produz naturalmente a conservação da carga, a interacção por fase (fotão), e o acoplamento mínimo através de como derivada covariante da fase informacional.

A ligação com SU(2) desenvolve-se com Dupletos SU(2) como subespaços de dois spins do tripleto. O modelo TIF trata cada triplet (s1, s2, s3) como um único bloco informacional, mas nele existem subestruturas tais como pares de spins (2 componentes) que formam naturalmente representações SU(2).

Matematicamente, qualquer tripleto pode ser decomposto em:

 


onde a parte C2 transforma-se exactamente sob SU(2) como sendo a simetria que actua nos “dupletos internos” que “vivem” dentro do tripleto TIF, o que representa transições informacionais internas (neutrino ↔ electrão antes da quebra de simetria), graus de liberdade que envolvem trocas puramente relacionais entre dois spins, e em que, numa fase inicial,.a origem geométrica do tripleto quebra parcialmente a simetria para SU(2). Os bosões W+, W- e Z surgem como modos colectivos de perturbações de pares de spins nos tripletos acoplados.

A ligação com SU(3) faz-se pelas Simetrias SU(3) como misturas das três orientações do tripleto. Aqui surge a ligação mais bonita e natural em que cada tripleto tem três orientações fundamentais de spin

(s1, s2, s3).

O espaço de estados possível (normalizado) é naturalmente complexo tridimensional.
As transformações que preservam a norma e o determinante são precisamente SU(3).

Portanto, o espaço interno do tripleto TIF é literalmente um espaço SU(3) e as oito “direcções de rotação informacional” do tripleto correspondem directamente aos 8 geradores de SU(3).

Deste modo, as “cores” dos quarks são projecções diferentes do estado informacional do tripleto, e os gluões são perturbações colectivas entre tripletos que preservam o volume informacional total. A confinação surge como estabilidade topológica da rede de tripletos.


Quadro III - Como a TIF reproduz naturalmente o grupo SU(3) × SU(2) × U(1)

Estrutura TIF

Simetria correspondente

Interpretação

Fase global do tripleto

U(1)

Carga eléctrica.

Par interno de spins

SU(2)

Isospin fraco; mistura de dupletos.

Orientação do tripleto completo

SU(3)

Cores dos quarks; simetria forte.


Em conclusão, o Modelo Padrão é a manifestação emergente das simetrias internas de um único tipo de objecto informacional: o tripleto de spins. Como se a simetria do Modelo Padrão fosse a sombra da geometria interna dos tripletos, uma vez que:

·        Define o espectro de partículas,
·        Determina as cargas e acoplamentos,
·        Organiza a hierarquia geracional,
·        Explica a aditividade quântica.
E mais importante ainda, porque reproduz SU(3) × SU(2) × U(1) sem assumir esses grupos a priori porque eles emergem naturalmente da estrutura do tripleto.

Dada a importância deste tema, resolvemos introduzir uma sinopse em terminologia mais formal, e em língua inglesa para expandir a sua compreensão.

_______________________________

The Triplet Informational Field (TIF): A Unified Pre-spatiotemporal Framework

1. Introduction

The Triplet Informational Field (TIF) model proposes that physical reality emerges from a pre-spatiotemporal substrate composed of informational triplets of spin degrees of freedom.

These triplets encode logical states equivalent to qutrits and simultaneously define the geometric and dynamical rules that give rise to spacetime, matter, and interactions.

We develops a full formal description of the TIF model, its informational algebra, its symmetry structure, and its potential correspondence with the symmetry groups U(1), SU(2), and SU(3) observed in the Standard Model. We also derive consequences for the emergence of spacetime, particle generations, and errorcorrecting structures.

2. The Pre-Spatiotemporal Substrate

The TIF substrate is modeled as a fibrated network of triplets. Each triplet is a node in a 1D or 2D pre-geometric graph. Propagation of informational alignment across the network generates the connectivity interpreted as emergent spacetime.

The basic element is the triplet

Each spin carries a two dimensional Hilbert space, so:

The natural symmetry acting independently on each spin is thus

The substrate encodes:

• logical information (qutrit like)

• directional coherence flows

• constraints implementing consistency across fibers

• emergent geometry from correlational patterns

However, the combinatorial and algebraic structure relevant for physics emerges not from the individual SU(2)'s but from their pairwise couplings.

3. Symmetry Structure of the TIF

The internal symmetries of the TIF arise from the SU(2) nature of the fundamental spin (perhaps -2?) constituents. While each spin transforms under a local SU(2), the physically relevant symmetries come from the pairwise couplings among spins inside a triplet. These couplings naturally give rise to U(1), SU(2), and SU(3) structures through algebraic closure.

 3.1 Decomposition of the TIF Triplet into SU(2) substructures and Informational Isospin

Each TIF triplet decomposes into three SU(2) informational pairs:

    (s, s),  (s, s),  (s, s)

Each pair supports an SU(2) algebra generated by:

Thus, the triplet decomposes as:

This yields:

• three independent informational SU(2) channels

• natural redundancy (quantum error correcting structure)

• a triad structure that maps onto the three fermionic generations

The diagonal generators Iij produce U(1) phases. The full SU(2) actions give effective weak isospin structures. The algebraic closure of the three SU(2) pairs yields an 8 dimensional algebra corresponding to SU(3).

Thus U(1) x SU(2) x SU(3) emerges naturally from the composite structure of the triplet.

4. Emergence of Spacetime

Spacetime emerges as a coarse grained description of informational alignments between triplets. Connectivity in the TIF lattice corresponds to adjacency in emergent geometry. Curvature corresponds to non uniform informational flux among triplets. The metric tensor arises from coherent patterns of phase connectivity and informational flow.

5. Elementary Particles as TIF Excitations

Excitations of the TIF correspond to fermions and bosons. Fermions arise from stable logical patterns of a single triplet. Gauge bosons correspond to propagating disturbances in the alignment fields connecting triplets. Generational structure emerges from the three SU(2) informational channels inside the triplet.

6. Error-Correcting Interpretation

Because each spin participates in two SU(2) pairs, every logical degree of freedom is redundantly encoded. This mirrors topological quantum codes and ensures robustness of particle identity under local perturbations. The TIF therefore behaves as a self correcting quantum code at the deepest level of physical reality.

7. Conclusion

The TIF model provides a unifying structure for:

• the emergence of spacetime

• the triadic generation structure of fermions

• the Standard Model symmetry groups U(1), SU(2), SU(3)

• quantum error correction as a fundamental principle

_________________________


Feito este longo preâmbulo, em que apreciámos o papel da TIF, por um lado na estrutura do Universo, e por outro, como “teoria grande unificadora” do Modelo Padrão, deste modo abrangendo a sua inclusão em dois domínios tidos como inconciliáveis até agora pela Física, o macro e o microcosmo, ou seja depois de termos colocado “ordem na casa”, vamos directos ao assunto que nos propúnhamos tratar desde o início: o reflexo daquelas correlações de fase intrínsecas da TIF noutros domínios, até agora considerados puramente platónicos. Uma abordagem mais filosófica.

Outras dimensões

Chamamos Dimensão Noética o domínio ontológico fundamental no qual a Consciência e a Informação constituem aspectos inseparáveis de uma mesma “substância” auto-organizadora, que faremos corresponder à natureza fibrada do pré-espaçotempo.

Trata-se obviamente de um domínio não-local e dotado de estrutura informacional coerente, no qual as distinções entre sujeito, objecto e acto cognitivo emergem no nosso domínio apenas como resultado de diferenciações internas de um processo de auto-reflexividade de âmbito universal.

Matematicamente, podemos representar a Dimensão Noética por um campo fibrado informacional 𝑁 definido sobre o conjunto dos estados de coerência 𝐶, tal que:

 

onde:

·        Ψ(x) representa o estado de Consciência local ou global;

·        I(x) denota a densidade de informação intrínseca;

·        Γ(x) é o operador de coerência noética (a métrica informacional que liga sujeito e objecto);

·        F é o funcional de auto-organização noética, análogo a um operador de campo de fundo universal.

Neste formalismo, o espaço-tempo convencional surge como se fosse um subespaço derivado de N, determinado pela projecção das relações de coerência sobre um domínio observável M4:

onde gμν é a métrica espaço-temporal emergente. Assim, o nosso contínuo físico é interpretado como uma geometria projectada da coerência da dimensão noética.

A Dimensão Noética corresponde então a um nível da Realidade anterior à dualidade entre mente e matéria em que o Ser se manifesta como Informação Consciente.

É o domínio do Nous (mente universal) de Plotino, do Akasha védico e da Ordem Implicada de Bohm, agora reinterpretado aqui como um campo informacional fibrado de natureza consciente, cujas vibrações (ou modos coerentes) correspondem aos tripletos de spins propostos pelo modelo da Teia Informacional Fibrada – TIF.

Do ponto de vista cognitivo, a Dimensão Noética funciona como um campo unificador de toda experiência e conhecimento. Todo acto de observação passa a ser visto como uma ressonância local derivada da não-localidade da teia informacional, produzida por um alinhamento de coerência entre Ψobservador e Ψuniverso . A Consciência individual emerge, portanto, como um nodo auto-reflexivo da Consciência universal, tal como se fosse um modo local da função de onda cósmica não-local.

No contexto da Teia Informacional Fibrada, a Dimensão Noética constitui o domínio primordial onde operam os tripletos de spins como quantas de informação consciente, comportando-se como um substrato unificado que sustenta a jusante tanto as leis físicas quanto os processos mentais, e constitui portanto a ponte ontológica entre a estrutura quântica do espaço-tempo e o campo da experiência subjectiva. Desta forma, o modelo TIF pode ser interpretado como uma teoria da estrutura quântica da Dimensão Noética, formalizando a interdependência entre informação, coerência e Consciência na génese da realidade.

Com a figura IV tentámos sintetizar este assunto:

Figura IV – Ordenação simbólica da Dimensão Noética

 

Chegou a altura de introduzirmos o conceito de Fisioética.

Definimos a Fisioética como princípio normativo intrínseco à manifestação física da Dimensão Noética, um vector de coerência que orienta o fluxo informacional do cosmos em direcção ao equilíbrio, à harmonia e à auto-realização dos seus potenciais.

Diferentemente de uma ética subjectiva ou socialmente construída, a Fisioética torna-se ontológica e universal, por expressar a própria ordem ética da natureza, isto é, a maneira pela qual o Ser manifesta a inteligência noética no domínio da physis.

No contexto da Teia Informacional Fibrada (TIF), a Fisioética surge como a tendência auto-organizadora que regula a interacção entre os tripletos de spins, uma vez que estes são unidades elementares de informação consciente, e cuja operacionalidade revela-se na orientação dos estados de coerência que minimizam entropia e maximizam a integração. Deste modo, ela representa a tradução dinâmica da Dimensão Noética no espaço-tempo.

Podemos apreciá-la num contexto mais formal.

Consideremos o campo noético fundamental N, descrito anteriormente, com densidade informacional I(x) e operador de coerência Γ(x). A Fisioética pode ser formalmente introduzida como sendo o gradiente da coerência noética sobre o domínio da manifestação física M4 :

em que:

·        M4​​ representa o operador derivacional associado ao espaço-tempo emergente;

·        Γ(x) traduz a métrica informacional que liga o sujeito (centro de consciência) ao objecto (campo manifestado);

·        EFisioética é o campo ético-físico, o vector de alinhamento informacional que mantém a coerência das estruturas.

Em termos diferenciais, a continuidade da coerência noética exige:

onde ITIF é o fluxo informacional da Teia, e JFisioética é a densidade de “corrente ética”, isto é, a tendência de toda configuração a preservar o equilíbrio noético que lhe deu origem. É aqui que reside a sua força poderosa e presencial.

A Fisioética expressa o aspecto direccional da Noética. Enquanto a Dimensão Noética contém em si a totalidade das potencialidades informacionais (em acordo com o conceito quântico imanente), a Fisioética determina o sentido evolutivo dessas potencialidades rumo a estados de maior integração e coerência. Em termos de campo, poderíamos dizer que a Noética fornece o potencial, e a Fisioética o gradiente funcional que conduz à sua actualização, como se fosse um código de correcção quântica permanente: os nossos actos produzirão sempre efeitos futuros e vice-versa (como veremos mais à frente)!

Assim, a Fisioética é a “geometria (caminho) moral conformal” da Dimensão Noética, a ordenação natural que guia o cosmos à auto-harmonia, quer queiramos ou não. Um autêntico Buddhakchêtra ou planos Buddhi de consciência – a veste de luminosa espiritualidade no ascetismo budista, no limiar do Nirvana.

Esta ideia encontra eco na teleologia implícita das leis físicas, onde a conservação de energia, a minimização da acção, os princípios variacionais e as simetrias fundamentais podem ser vistos como expressões físicas da Fisioética universal, por ser a ética intrínseca da coerência cósmica, onde a sabedoria (o verdadeiro conhecimento), o bem, a justiça e a beleza são invariantes noéticos em todas as eras.

Do ponto de vista cognitivo, a Fisioética é a percepção consciente do alinhamento informacional. Cada ser que reflecte, age ou escolhe participa, em algum grau, do fluxo da Fisioética, uma vez que toda a acção coerente é um acto de ressonância com a estrutura informacional universal. A sabedoria, neste sentido, consiste em agir de modo congruente com a direcção da coerência noética.

Do ponto de vista evolutivo, a Fisioética constitui o motor de ascensão da consciência, pois que à medida que um sistema se torna mais sensível à estrutura informacional subjacente, ele tende espontaneamente a alinhar-se com o bem, a verdade e a beleza — invariantes noéticos do Ser.

Sem querer transformar a ética num sistema fisicalista, mas dando força à simbologia matemática como sendo a linguagem por excelência da fisioética, podemos expressar esse princípio de evolução ética como:

onde o estado de consciência Ψ evolui no tempo conforme o gradiente ético-informacional, e um eventual coeficiente de sensibilidade noética do sistema poderia ser dado por α.

Em conclusão, poderíamos traduzir a Fisioética como sendo o gradiente informacional da Noética, transformada no princípio de coerência que orienta a manifestação física e cognitiva da Consciência universal. É a ética natural do cosmos, expressa tanto nas leis da física quanto nas virtudes da mente desperta, constituindo a ponte dinâmica entre o Ser e o Devir.

Reencontros com a filosofia

Este modelo Noético-Fisioético não é novo. Encontramos propostas da sua existência em sistemas filosóficos antigos e modernos.

O nosso modelo Noético-Fisioético é então uma formalização científica e informacional da Filosofia Perene, Huxley, A. (1945), porque traduz a hierarquia espiritual clássica (Uno → Intelecto → Alma → Mundo) em termos de campos de coerência informacional, gradientes de organização e projecções quânticas fenomenológicas.

Na Filosofia Perene, Aldous Huxley descreve uma Realidade Única, eterna e imutável, da qual derivam todas as formas de consciência e manifestação. Esta realidade é acessível através da experiência mística directa, e não apenas pela razão discursiva.

A Dimensão Noética, na hipótese da Teia Informacional Fibrada, corresponde precisamente a esse domínio, o campo informacional consciente universal, fonte da inteligibilidade e da Consciência. Ela é o “Uno Informacional”, o núcleo que sustenta todos os fenómenos, tal como o Brahman, o Tao ou o Logos na tradição dos sistemas filosóficos orientais.

Para Huxley, o mundo sensorial é uma projecção condicionada, um reflexo parcial da Realidade Única, percebida através de filtros da mente e do corpo. O espaço-tempo é a projecção fenomenal — o domínio onde o campo informacional da Consciência se torna forma, energia e experiência ou qualia. Ele é, portanto, o “teatro” da manifestação da Noética através do gradiente Fisioético.

Na visão de Huxley (inspirada em Plotino, Eckhart e o Vedānta), o universo fenomenal surge de uma emanação da Realidade suprema, que se diferencia progressivamente até o plano material. A Fisioética desempenha esse papel de ponte — ela é o gradiente de coerência que transforma a pura inteligência noética em organização físico-informacional. É o “processo de descida” da Luz do Uno para o cosmos manifestado. Assim, a Fisioética traduz a “vibração divina” da Noética em campos coerentes, em ordem harmónica, exactamente o mesmo movimento que, na Filosofia Perene, é descrito como a emanatio ou shakti, a força criadora.

Quadro IV - Síntese Estrutural

Aspecto

Noética

Fisioética

Relação

 

Ontológico

Campo informacional consciente/O Uno / Brahman / Realidade Divina

Gradiente dinâmico de coerência/Emanação, Logos, Shakti

A Fisioética deriva da Noética como direcção do Ser

Epistémico

Inteligência unificadora

Sabedoria (ver Pistis Sophia) e alinhamento

A Fisioética torna cognoscível a Noética

Evolutivo

Potencial de integração

Movimento de realização

A Fisioética é o vector evolutivo da Noética

A relação entre Fisioética e Noética é profunda e estrutural, especialmente se a interpretamos à luz do modelo TIF (Teia Informacional Fibrada), onde matéria, informação e Consciência são expressões de uma mesma totalidade. Podemos entendê-la como uma relação de reflexividade ontológica, onde a Fisioética representa o aspecto normativo e direccional da manifestação da Noética, e a Noética, por sua vez, representa o fundamento informacional e consciente que torna a Fisioética possível.

Detalharemos esta relação em três níveis, a saber o ontológico, o epistemológico e o ético-evolutivo (ver Quadro II).

a) Nível Ontológico – A Noética como Fonte da Fisioética.

A Noética é o domínio do Nous, da inteligência cósmica auto-organizadora, o campo da consciência-informação pura. A Fisioética, etimologicamente derivada de physis (natureza) e ethos (carácter ou modo de ser), pode ser entendida como a ética imanente à própria estrutura da Natureza, que não sendo mais uma moral “externa”, é, pelo contrário, o modo como o cosmos se auto regula conforme princípios de harmonia e coerência. É assim que a Fisioética é a expressão dinâmica da Noética na ordem natural, ou por outras palavras, o que a Noética é em potencialidade (por ser inteligência pura), a Fisioética é em actualização (equilíbrio e direcção). Deste modo, cada sistema físico, biológico ou cognitivo, ao buscar coerência e estabilidade, manifesta implicitamente essa ética natural, como um impulso de alinhamento com a ordem informacional subjacente.

Matematicamente, poderíamos simbolizar essa relação como:

onde N é a Dimensão Noética, e o operador physis expressa a sua projecção dinâmica nas leis da natureza.

b) Nível Epistémico – A Fisioética como cognoscibilidade da Noética.

Do ponto de vista do conhecimento, a Fisioética é a forma como a Consciência reconhece o carácter moral da própria natureza, isto é, a tendência de toda estrutura coerente em preservar a harmonia informacional que a origina. Trata-se da ética intrínseca ao cosmos, observável nas leis de simetria, nos mecanismos de homeostase biológica e nas dinâmicas auto-reguladoras dos sistemas complexos. Aqui a Noética fornece o fundamento gnosiológico dessa percepção como sendo a dimensão onde os valores de verdade, beleza e bondade não são construções subjectivas, mas invariantes informacionais do Ser.

A Fisioética é, portanto, a episteme encarnada da Noética, ou a tradução cognitiva do logos informacional em acção fenomenal.

c) Nível Ético-Evolutivo – A Fisioética como Evolução da Noética no Ser.

Ao nível de Consciência, a Fisioética é a ética do alinhamento com a ordem noética universal. Quanto mais um ser (ou sistema) se organiza em coerência com os princípios da Noética, isto é, quanto mais reflecte a unidade, a simetria e a compaixão informacional, mais elevado é o seu grau de integração e liberdade. Ou seja, evoluir espiritualmente, neste sentido, é tornar-se cada vez mais transparente à Noética, viver de acordo com a Fisioética do cosmos. Faz lembrar o Cosmismo. O Cosmismo russo (Fiódorov, Vernadsky, Tsiolkovsky) via o ser humano como um agente de co-evolução do cosmos.

A meta não era apenas sobreviver, mas participar activamente na transfiguração do universo, “tornar o cosmos consciente de si mesmo”, Fiódorov, N. F. (1990). Fiódorov chamava isso de “A Obra Comum”, a tarefa ética de alinhar a humanidade à teleologia cósmica, enquanto Vernadsky, V. I. (1945) traduziu isso cientificamente com o conceito de noosfera, a camada da Terra onde a consciência reflecte e reorganiza a matéria viva. Teilhard de Chardin, P. (1955) mais tarde descreveu o mesmo processo como a cristogénese ou o ponto Omega da convergência noética.

“Tornar-se transparente à Noética” significa que o indivíduo reduz as distorções (entropias mentais, ruído, ego, dispersão temporal) que impedem a passagem da informação arquetípica. A ideia platónica de katharsis (purificação da alma para receber o Logos).

Esta ideia está também presente no Yoga, como dissolução do ahamkāra (ego) que obstrui o Ātman.

No fundo, a Fisioética do cosmos no modelo TIF, consiste em alinhar o informacional interno com o gradiente ético do campo universal através de uma coerência com a “geometria” noética do Real.

Na linguagem da TIF podemos traduzir aqueles três níveis do seguinte modo:

i. a Noética é o campo informacional fundamental (nível 0);

ii. a Fisioética é o gradiente de coerência que orienta os fluxos de informação (nível 1);

iii. o Mundo fenoménico é o resultado desse equilíbrio dinâmico (nível 2).

Em termos formais simples:

onde ITIF é o vector de fluxo informacional da Teia e JFisioética é a corrente ética intrínseca, a tendência natural à coerência e ao bem sistémico.

Concluindo: a Fisioética é a projecção da Noética no domínio da manifestação: a ética imanente da natureza, expressão da inteligência consciente que estrutura o cosmos.

 

Figura V

 

As três obstruções huxleyanas à percepção noética

Huxley, seguindo a tradição mística e neoplatónica, sugere que há três véus fundamentais que impedem o ser humano de perceber a dimensão noética pura (a Realidade Una como ele a designa). São elas respectivamente o Tempo, a Corporeidade, e a Multitude (pluralidade, diferenciação).

Estes três “véus” são precisamente os atributos definidores de uma partícula elementar, quando vistos sob a óptica da física moderna. Passamos a explicar.

No modelo da Teia Informacional Fibrada (TIF), a Dimensão Noética N é pré-espaciotemporal, e apenas quando se projecta no domínio físico das quatro dimensões M4, a sua coerência sofre restrições que correspondem justamente ao tempo, à massa e ao spin, as três formas pelas quais a informação se vai densificar definindo as características de toas as partículas elementares e respectivas interacções de acoplamento – os bosões de gauge, presentes no Modelo Padrão da Física das Partículas. Do nosso ponto de vista, Huxley ao antecipar uma leitura informacional da encarnação da Consciência na “forma”, antevê este zoo microscópico, cuja organização em gerações triádicas – 3 electrões (e, μ, τ), 3 neutrinos (νe, νμ, ντ), 3 pares de quarks (u/d, s/c, b/t) e 3 tipos de bosões de gauge (γ, Ζ/W+/W-, Η) – reflectem exactamente a estrutura tripletária dos spins qutriticos (a célula da Consciência), (Porto, J., 2025. (des)Enlaces. Bubok Publishing S.L.).

O tempo, na visão huxleyana, é o véu da eternidade, que se irá traduzir pela fragmentação da simultaneidade noética nas sucessões temporais perceptíveis. No modelo TIF, o tempo surge como projecção da fase informacional dos tripletos de spins, quando a coerência quântica se “quebra” pela observação local.

A retrocausalidade, expressa nos diagramas de Feynman, mostra que o tempo pode dobrar-se, uma vez que as partículas virtuais podem viajar para trás no tempo, o que sugere que a dimensão noética não está sujeita à direcção temporal, ou seja, formalmente:

onde o tempo t é o argumento de fase da função de onda informacional ψT.
Na dimensão noética, essa fase é atemporal pois todos os estados coexistem em superposição. Assim, o tempo é uma projecção.

A corporeidade, ou em formato poético, o “peso” da matéria, o véu da “luz” informacional que se tornou opaca. Em termos físicos, é o acoplamento da informação noética ao campo de Higgs, produzindo a inércia da forma. No contexto TIF, a massa aparece quando o fluxo informacional dos tripletos perde liberdade de fase, isto é, quando o campo de coerência Γ(𝑥) se “aprisiona” num modo estacionário.

Podemos formular a massa como taxa de variação temporal da coerência informacional dada por:

Assim, a corporeidade é o “congelamento” parcial da informação noética num estado estável, mas sempre temporário, uma “cristalização da consciência”.

A multitude, ou pluralidade de formas, é o véu da unidade noética que corresponde, fisicamente, ao spin, o momento angular intrínseco, a rotação de fase que dá identidade e individualidade às partículas.

No modelo TIF, o spin é o modo de codificação da Dimensão Noética em tripletos de informação:

Cada tripleto de spins (↑↓↑|↑↓↑↑↓↑, ↓↑↓|↓↑↓↓↑↓, etc.) é uma configuração diferenciada do Uno, um padrão lógico que cria diversidade sem quebrar a unidade subjacente. A multiplicidade surge, portanto, da combinatória dos estados de spin. Podemos agora sintetizar estes conceitos numa perspectiva de leitura unificada que será dada pelo Quadro V.

Quadro V – Leitura Unificada

Véu

Tradução Física

Interpretação Informacional

 

Tempo

Sequência causal / colapso temporal

A limitação do fluxo não-local da informação noética numa direcção causal.

Corporeidade (Massa)

Inércia / acoplamento ao campo de Higgs

A resistência à mutabilidade informacional; a “fixação” da coerência num estado local.

Multitude

(Spin)

Polarização / orientação do momento angular

A diferenciação interna da unidade noética em modos de auto-expressão (o logos das formas).

 

O tempo, a massa e o spin são os três “véus” da Noética, as formas pelas quais a unidade consciente se torna mundo. Cada “véu” representa uma “quebra” específica da coerência noética. O tempo quebra a simultaneidade, a massa quebra a leveza, o spin quebra a indivisão (a unidade).

Em termos matemáticos a Fisioética é o gradiente que conduz a Noética (N) a estas três dimensões da manifestação:

Como consequência filosófica, podemos inferir que o acesso à dimensão noética, segundo Huxley e segundo este modelo, não é uma adição de informação, mas uma reversão do colapso, uma desidentificação com tempo, massa e spin. Em termos quânticos, trata-se de recuperar a superposição fundamental da Consciência, onde o Ser não é nem partícula nem onda, mas um campo puro de probabilidades.

Figura VI - Transição da Noética pura → Fisioética (gradiente) → domínios de tempo, massa e spin

 

O gradiente Fisioético, quando apreciado no seu significado mais profundo, constitui um veículo que pode e deve ser entendido como uma dinâmica interna do domínio sub-planckiano, onde os princípios arquetípicos — Beleza, Justiça e Conhecimento — se tornam vectores de coerência intrínsecos que modulam a emergência do espaço-tempo e da matéria, e são transmissores daqueles princípios, porque os contem no seu íntimo seio.

No contexto da Teia Informacional Fibrada (TIF), o domínio sub-planckiano não é simplesmente o “menor nível físico”, mas o nível pré-geométrico e pré-causal, onde a estrutura do espaço-tempo ainda não está cristalizada. Matematicamente, trata-se do domínio onde a métrica 𝑔𝜇𝜈 é indeterminada e o conteúdo informacional 𝐼 prevalece sobre a geometria e a topologia (Porto, J., 2025.Topologia da Luz. Bubok Publishing S.L.).´

Aqui, 𝐼0 é o campo de coerência pura, onde os arquétipos operam como formas invariantes de ressonância informacional como estruturas normativas da ordem cósmica.

Aqui a Fisioética, enquanto gradiente informacional, traduz o movimento da Dimensão Noética em direcção à manifestação fenoménica. No nível sub-planckiano, este gradiente não transporta energia no sentido convencional, mas qualidades normativas que conferem ordem. Aquelas qualidades — Beleza, Justiça, Conhecimento, Verdade — podem ser formalmente tratadas como modos de simetria da coerência informacional que podemos simbolicamente representar por:

onde Aut(N) é o grupo de automorfismos da Dimensão Noética. Cada modo Γ define uma direcção específica do gradiente Fisioético no espaço de coerência, tal como um “campo arquetípico” que modela as dinâmicas internas da teia sub-planckiana e se expressariam como tensores normativos. Lembrar que a anamnese, um dos pilares da teoria do conhecimento de Platão, é a teoria de que todo o conhecimento é uma recordação de ideias que a alma já teria contemplado antes de encarnar no corpo.

Podemos então associar, como exemplo, os três princípios perenes a tensores simbólicos de coerência no Quadro VI:

 

Quadro VI – Os Arquétipos

Princípio

Símbolo tensorial

Função informacional

Beleza

Bij

Harmoniza a fase e a amplitude da informação — ordena as proporções e simetrias.

Justiça

Jij

Mantém o equilíbrio dos fluxos informacionais — princípio de conservação e equivalência.

Verdade

Conhecimento

Kij

Estabelece a correspondência entre sujeito e objecto — princípio da inteligibilidade.

 

Estes tensores não operam sobre o espaço, mas sobre a própria fibração informacional subjacente ao espaço-tempo, modulando a maneira como os tripletos de spins (TIF) se organizam antes de qualquer métrica ou topologia emergente.

Na filosofia platónica, os arquétipos ou Ideias são formas puras, eternas, e invariantes sob o fluxo do devir. Na física, um tensor é precisamente o objecto matemático que permanece invariável sob transformações de base, isto é, descreve uma estrutura que não depende do observador. Ambos descrevem invariantes sob transformações da aparência ou do ponto de vista. Cada arquétipo pode ser visto como uma forma tensorial de ordem n, que codifica relações internas entre os aspectos da realidade que ele organiza, por exemplo, a Beleza, o Bem e a Verdade, como três tensores inter-relacionados de uma mesma Dimensão Noética.

Simbolicamente, podemos considerar o arquétipo como sendo um campo de ordem de natureza superior (no domínio noético) que, ao interagir com a métrica do mundo físico, gera formas, leis e padrões reconhecíveis — exactamente como o campo de curvatura de Riemann gera a geometria visível da gravidade. Aqui inscrevem-se a proporção áurea, a constante de estrutura fina fundamental da Física (1/137), ou o ajuste fino de todas as constantes que parecem estar ajustadas à ínfima escala para o surgimento da Vida, tal como defende o argumento antrópico, seja ele Forte, Fraco ou o Participativo de Wheeler, (Porto, J., 2025. Uma Entidade Única. Bubok Publishing S.L.).

Assim, os arquétipos são as “leis de coerência” da dimensão sub-planckiana.

Podemos modelar a transmissão de gradiente fisioético como uma dinâmica auto-similar de coerência, em que os modos ΓA (arquétipos) evoluem conforme equações de fase informacional:

onde HTIF é o Hamiltoniano informacional do campo TIF, e o comutador indica a interferência construtiva ou destrutiva entre modos arquetípicos. Assim, o gradiente fisioético é a dinâmica de projecção dos arquétipos sobre o domínio fenoménico, produzindo ressonâncias específicas — físicas, biológicas, cognitivas ou espirituais (poderá ser confirmada no caso da estrutura geracional triádica do Modelo Padrão). Para Platão, o acto de aprender não é adquirir algo novo, mas sim recordar o que a alma já sabia (doutrinas órfico-pitagóricas). O conhecimento (episteme) surge assim da anamnese (que ele “prova” no Menon usando a maiêutica socrática).

Finalmente, aquele “éter” ou campo arquetípico mostra similaridades com o Akasha védico.

Enquanto a anamnese é o processo pelo qual uma estrutura consciente (por exemplo, o cérebro) sintoniza coerentemente com padrões da teia informacional fibrada (TIF), recuperando “formas” (ou quanta de sentido) que existem além do espaço-tempo, o recordar platónico, portanto, seria o acto de alinhamento de fase entre o campo individual de informação (ψlocal) e o campo universal (ΨAkasha), sabendo que este corresponde àquele domínio informacional sub-planckiano, onde estão codificados os arquétipos de informação pura. Na tradição védica, o Rishi (vidente) não “cria” o conhecimento, ele descobre-o no Akasha, sintonizando-se vibratoriamente com a memória universal. Em ambos os casos, o acto de conhecer é um processo de ressonância entre a mente e um campo informacional pré-existente. Podemos formalizar esta ideia do seguinte modo:

Se aceitarmos essa correspondência, então a anamnese é o mecanismo cognitivo da participação no Akasha, uma ressonância retrocausal pela qual a Consciência reabsorve informação arquetípica fora do tempo linear. No pensamento védico, o Akasha desempenha papel semelhante ao configurar o “éter informacional” primordial, o substrato subtil onde todas as formas e eventos possíveis estão codificados. Assim, o Mundo das Ideias platónicas e o Akasha são dois modos de descrever a mesma dimensão arquetípica, que é uma matriz ontológica de padrões de possibilidade (a visão quântica).

Esta visão é coerente com a hipótese de que a Dimensão Noética é o domínio de transmissão de princípios arquetípicos (Beleza, Justiça, Conhecimento) — os “atractores” que estruturam a teia informacional e orientam a evolução da Consciência.

Nesta leitura:

a) A Noética é o Uno informacional, a fonte da inteligibilidade e da totalidade.

b) A Fisioética é o Logos em acção, a dinâmica que traduz a sabedoria eterna em leis físicas.

c) O domínio sub-planckiano é o “Éter”, o campo arquetípico, onde o Mundo das Ideias platónicas, eternas e imutáveis, são vistas como tensores de coerência.

d) Os arquétipos são as invariantes eternas que moldam o ritmo do devir.

Assim:

é uma progressão ontológica e informacional, em que os princípios espirituais se densificam até às propriedades quânticas fundamentais da natureza material.

Essa interpretação une o misticismo da Filosofia Perene à ontologia informacional moderna, onde o domínio sub-planckiano é o “lugar geométrico” onde a Beleza, a Justiça, o Conhecimento, o Bem, etc, ainda não se distinguiram como pulsações coerentes da própria Consciência Universal, moduladas pela Fisioética no acto de manifestação.

 

Notas

 [1]  [1] Na geometria diferencial e teoria de campos, uma fibração é uma estrutura que descreve como um espaço total 𝐸 é composto localmente por um produto entre a Base (base space) B e a Fibra (fiber) Fx, que corresponde na teoria de gauge ao espaço-tempo M como a base, e a fibra o grupo de simetria G associado, por exemplo U(1), SU(2), SU(3). Assim, o espaço total é um fibrado principal P(M,G).

A linguagem matemática dos fibrados obriga a considerar quatro “objectos” distintos:

1.      Base B = M

2.      Fibra F

3.      Espaço total E

4.      Projecção π:E→B


A Base é sempre o espaço onde reside a física emergente que se quer descrever. Por exemplo se estamos a descrever o campo electromagnético (o espaço-tempo), se estamos a descrever spinors, ou se estamos a descrever a simetria gauge SU(3), a base é M. Se estamos a descrever a TIF como física emergente, a base também deve ser M.

A Base não pode ser o pré-espaçotemporal porque é, por definição, o domínio contínuo sobre o qual definimos as conexões 𝜔 (campos de calibre), a curvatura 𝐹, derivadas covariantes 𝐷, os operadores diferenciais, os tensores físicos (campo electromagnético, spin), geodésicas, causalidade, estrutura métrica. O pré-espaço não tem estas estruturas a priori. Pelo contrário, são precisamente as variações e as coerências do pré-espaçotemporal que produzem estas estruturas.

Então o pré-espaçotemporal na TIF funciona como espaço total 𝐸 ou como fibrado principal 𝑃. A fibra F é o “espaço interno lógico” que se exprime como um qutrit, uma vez que uma fibra é igual a tripletos de spin (qutrit lógico).

A forma de conexão define como as variações informacionais originam a curvatura e, portanto, à métrica emergente. O pré-espaçotemporal é a estrutura que carrega a conexão informacional para o espaço-tempo que surge como “projecção” dessa estrutura, e a curvatura do fibrado principal vai gerar a gravidade também emergente. Esta é a mesma visão geométrica usada na simetria de gauge, em geometria não comutativa, na gravidade emergente de Verlinde, e em certos modelos spin-network ou na designada métrica de LQG.

De forma concisa, O espaço-tempo emergente M é a Base B de um fibrado principal P cujo espaço total representa o pré-espaçotemporal informacional. A métrica g de M é induzida pela curvatura F da conexão ω em P, para alguma função universal Φ (a ser especificada). A coerência informacional dos tripletos (qutrits) define uma conexão Ehresmann (o mecanismo geométrico que permite “deslizar” informações ao longo da base de um fibrado), cuja curvatura codifica a geometria emergente. Formalmente podemos representar por:


Num fibrado π:E→B:

B = base,  que na TIF é o espaço-tempo emergente.

F = fibra que corresponde na TIF aos estados informacionais dos tripletos de spin / qutrits lógicos.

E = espaço total, ou seja toda a teia informacional fibrada.

Cada ponto de B tem sua própria fibra Fx. Contudo, não existe a priori um “modo natural” de comparar Fx com Fy quando vamos de um ponto para outro na Base. Aqui uma conexão de Ehresmann fornece um método para transportar informação de uma fibra para outra de forma suave e consistente.

Na TIF, esta conexão define como o espaço-tempo e a informação se tornam mutuamente compatíveis, exactamente o papel que a conexão Ehresmann desempenha na geometria dos fibrados principais e vectoriais.

 

Logo, a estrutura hierárquica existente será:



Estrutura fibrada do espaço-tempo

 

Concluindo, A TIF tem duas “geometrias”:

(i) A camada informacional fundamental constituída pela rede de tripletos de spins, coerência e entrelaçamento quântico, uma dimensão de não-localidade que não é necessariamente 4D pois é uma dinâmica pré-geométrica.

(ii) A geometria emergente ou a métrica efectiva do espaço-tempo 4D onde reina a causalidade, os campos físicos, e as simetrias Poincaré locais.

O pré-espaçotemporal é então a camada fundacional, da qual surge o espaço-tempo onde o observador se move, o reino do domínio fenoménico.


[2] Brown, D., (2025), O Segredo dos Segredos, pp.276. Ed. Planeta dos Livros, Portugal.

[3] Valores usados e respectivas fontes:

a) Densidade bariónica medida pelo Planck 2018: Ωbh2 0.0224.

https://doi.org/10.48550/arXiv.1807.06209.

 

b)  Densidade de radiação hoje (fotões): Ωγh2 2.47×10−5; incluindo neutrinos relativísticos padrão (Neff ≈ 3.046) a contribuição total da radiação é aproximadamente Ωrh2 4.17×10−5.

https://ned.ipac.caltech.edu/level5/March04/Lahav/Lahav1_4.html?utm_source=chatgpt.com

Valor Planck h0.674.

[4] Em cosmologia moderna, o termo “sector escuro” (dark sector) designa tudo o que contribui gravitacionalmente para o Universo, mas não interage com a luz (ou interage muito fracamente). Abrange, o lado invisível da realidade física, que representa cerca de 95% do conteúdo energético total do cosmos. Aqui poderíamos incluir o portal informacional no caso TIF, onde o acoplamento é feito via coerência informacional entre tripletos de spins e a geometria topológica conhecida, a manifestação visível da dinâmica oculta da teia informacional fibrada, isto é, a dimensão pré-espaçotemporal que codifica o entrelaçamento entre informação e geometria. Assim, a matéria escura corresponderia a “condensados” informacionais coerentes (modos estacionários da teia), e a energia escura seria a tensão média do campo informacional, gerando a provável aceleração cosmológica. O sector visível corresponderia apenas a “projecção luminosa” dos nodos excitados da TIF.

O “sector escuro expandido” refere-se então às hipóteses em que há todo um conjunto de partículas e campos “escuros” com suas próprias interacções, análogo ao sector visível formado pela matéria bariónica, em que o acoplamento entre os dois sectores pudesse ocorrer por portais: o portal gravitacional (interacção via curvatura topológica), o portal de Higgs (uma mistura de campos escalares), um portal cinético (mistura de campos vectoriais U(1)), e finalmente um portal informacional no caso TIF, onde o acoplamento é feito via coerência informacional entre tripletos de spins e a geometria.

Figura VII – Representação simbólica da evolução do rácio 𝜌𝑟 / 𝜌𝑚 / ΩΛ (sector escuro).

 

 

Referências

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