quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

A Astronomia Planetária e as “Correntes de Vida”

 


O espaço-tempo à escala de Planck como "espuma de spins" sede de flutuações quânticas,
partículas e sólidos platónicos emergindo sob a influência do bosão de Higgs e posteriormente 
a gravidade resultado do processo de correcção quântica de erros necessários à estabilização da 
informação e do Cosmos.
Fonte: IA ChatGPT sob propostas temáticas do autor.


É consensual que a vida só é possível com a presença de um solvente universal conhecido como água, aquele que é um dos elementos principais considerados pela alquimia, mediador entre os elementos etéreos Fogo/Ar e a Terra, o elemento material. A água, quimicamente conhecida pela fórmula molecular H2O, tem uma estrutura constituída por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio partilhando entre si os seus electrões e formando uma ligação geometricamente assimétrica de 104,50. A partilha faz-se entre o electrão do hidrogénio com um electrão do oxigénio, criando as denominadas ligações covalentes. No entanto os campos orbitais dos electrões dos átomos de hidrogénio encontram-se sempre deslocados pela forte atracão do núcleo positivo do átomo de oxigénio o que cria uma polaridade molecular, apesar de globalmente a água ser uma molécula neutra. Este aspecto dipolar faz com que as moléculas de água se alinhem entre si formando as pontes de hidrogénio cuja presença permite à água funcionar como agregador de moléculas orgânicas mais complexas, como aquelas pertencentes á classe das proteínas, enzimas, nucleotídeos, açúcares e mesmo o próprio ADN, sendo que todas elas apresentam também polaridade (moléculas hidrófilas). São também estas pontes de hidrogénio que autorizam a água no seu estado sólido, quando congela, a assumir uma estrutura semi-cristalina hexagonal formada por 4 pontes de hidrogénio. 

A água como solvente universal, pelas suas propriedades de coesão e adesão, conferida pelas tais pontes de hidrogénio, apresenta-se como a solução natural e sustentável encontrada pelo Universo onde abundam o hidrogénio em primeiro lugar (92%), seguido pelo hélio (7,1%) e em terceiro lugar o oxigénio (0,1%), apesar de raramente se encontrar na sua forma molecular O2, devido precisamente ao facto de espontaneamente se ligar ao hidrogénio formando água. Por essa razão a água é tão abundante em todo o Universo sob a forma de gelo intersticial nos agregados de poeiras interestelares.

O Oxigénio que tem a sua origem no final do processo de combustão do hélio, reacções de fusão dominantes no interior das estrelas massivas através do ciclo CNO-I (Carbono-Azoto-Oxigénio), torna-se assim o elemento preferencial para síntese da água.

Curiosamente o HeH+ (hidreto de hélio), carregado positivamente, é a primeira molécula conhecida a ser formada no universo, cerca de 380.000 anos após aquilo que se considerava ser o Big Bang, num período conhecido como época de recombinação e que irá posteriormente dar origem às primeiras estrelas. Este esquema de momento continua a ser fiável apesar de o Big Bang ter sido posto em causa pelas últimas observações do telescópio espacial James Webb. 

Façamos uma rápida viagem pela história conhecida até agora dos planetas telúricos do Sistema Solar e pela lua da Terra.

Na Terra, no éon Arqueano, um período geológico compreendido aproximadamente entre 3,85 e 2,5 mil milhões de anos, o nosso planeta era totalmente coberto por oceanos. Um estudo das rochas australianas datadas desse período geológico, revelaram ainda que os oceanos arcaicos tinham uma presença do isótopo pesado O18 muito superior aos actuais oceanos. Na África do Sul em Barberton Greenstone Belt, onde existem algumas das mais antigas rochas na Terra, os geólogos Maarten De Wit e Harald Furnes estudaram uma espécie de sílica chamada “chert” (uma variedade de quartzo) cuja formação é atribuída a grandes profundidades sob água onde predominariam fontes hidrotermais, concluindo que há cerca de 3,5 mil milhões de anos, os oceanos da Terra foram relativamente frios, e não inospitamente quentes como se pensava anteriormente (1). Surgem assim evidências geoquímicas e paleomagnéticas de que ao longo dos últimos 3,5 mil milhões de anos, a Terra tem permanecido dentro de uma faixa de temperatura favorável à vida.

Pela mesma altura, Marte tinha 36% da sua superfície coberta por oceanos e possuía um ciclo hidrológico de acordo com estudos recentes da Universidade do Colorado nos EUA e das missões da NASA naquele planeta nomeadamente a MRO - Mars Reconnaissance Orbiter (NASA/MRO/Horganet al. 2019).

Figura 1 – Marte - carbonatos marginais destacados em vermelho (NASA/MRO/Horganet al. 2019).


A recente descoberta de carbonatos na beira de extintos lagos (caso da área geológica da cratera Jezero) (2), e de depósitos de sílica hidratada no fundo do delta durante o período Noachiano, o primeiro período geológico de Marte e que teve o seu término há cerca de 3,5 mil milhões de anos, parece confirmar as suspeitas de vida arcaica no planeta. Naquela época Marte tinha um clima relativamente húmido e uma atmosfera rica em dióxido de carbono (CO2). Os carbonatos só se formam quando rochas e água reagem com o CO2. Como é do domínio público, a investigação no terreno prossegue, já que encontrar água líquida em Marte foi um dos principais objectivos do programa da NASA, sendo que tal hipótese no entretanto foi já confirmada. A hipótese inicial era de que a água ocorresse sob a forma de água salgada com sais de perclorato (compostos de cloro e oxigénio) que reduzem o ponto de congelamento da água fazendo com que permaneça líquida apesar das temperaturas congelantes de Marte atingirem em média -63°C.
Quanto a Vénus, tinha oceanos e atmosferas onde preponderavam a água, o azoto e o oxigénio. A recente detecção de gás fosfina (PH3), caracterizada por ser por excelência a bio assinatura da vida, poderá ser um indício da existência de vida antiga que adquiriu formas biológicas adaptadas às condições das camadas externas da atmosfera venusiana onde persistem temperaturas propícias à vida microbiológica actual (180 C). É verdade que a fosfina foi detectada na década de 70 do século passado em Júpiter e Saturno, onde se formou nas camadas mais internas das suas atmosferas. Mas, só a presença de calor e da pressão do hidrogénio muito grandes, favoreceram a produção abiótica de fosfina, condições extremas não verificáveis em Vénus. A síntese de fosfina fora de condições extremas implica fornecimento contínuo de muita energia o que só é possível pela via biológica como na Terra.
Lembremo-nos que Carl Sagan e Harold Morowitz sugeriram em 1967 formas de vida num cenário envolvendo “balões ecológicos” flutuando entre as nuvens, metabolizando água e minerais.
De encontro a esta ideia, simulações feitas em computador sobre a história climática de Vénus, pelo Instituto Goddard de Ciência Espacial da NASA, mostraram que até há bem pouco tempo (cerca de 715 milhões de anos) as temperaturas podiam ter variado entre 20 e 50 °C, suficientemente frias para a existência de água líquida formando extensos oceanos por 2 a 3 mil milhões de anos, sugerindo que a vida poderia ter evoluído naquele planeta.
No entanto a crosta terrestre de Vénus é espessa e sem sinal de tectonicidade e o planeta não tem basicamente campo magnético o que deverá ter contribuído de forma irredutível para a sua situação actual.
A presença de água em Vénus, Terra e Marte está também de acordo com a teoria geral da formação do sistema solar e em particular dos planetas telúricos a partir do gás nebular original. Enquanto os planetas exteriores e gigantes como Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, arredados da influência radiactiva do Sol tinham condições para acumular a água presente na nebulosa primordial, os três planetas telúricos não tinham essa hipótese. A composição isotópica da Terra indica que os principais blocos de construção dos planetas rochosos são materiais semelhantes a enstatita condrite dos asteróides e cometas cuja concentração em água e as relações entre o deutério e o hidrogénio (D/H) correspondem às da Terra (3).
Assim, a probabilidade do surgimento da vida deve ter sido transversal aos planetas telúricos. Contudo a Terra poderá ter sido o local preferido, dado que um acontecimento inesperado poderia ter acelerado ou mesmo justificado o aparecimento de vida. Um corpo planetesimal gelado que se encontrava na mesma órbita do que a Terra, num ponto de Lagrange L4, viria a fazer pender o prato da balança no que respeita à presença da água.
Theia colidiu com a Terra há 4,5 mil milhões de anos e trouxe mais água. Para além de outros factores estabilizadores. Dessa colisão iria resultar a Lua, como massa arrancada ao nosso próprio planeta e em quantidade suficiente para formar um futuro corpo esferóide – a Lua é a nossa antiga Terra. A assimilação pela Terra de uma parte de Theia foi extremamente importante para que o material metálico dos dois fosse unido e se estabilizasse no centro do nosso planeta, caso contrário a Terra seria apenas uma estrutura rochosa estérea muito semelhante a Vénus, sem um campo magnético e sem placas tectónicas. Por outro lado, a presença do efeito gravitacional da Lua induziu a uma oscilação muito pequena do eixo da Terra à medida que evolui em torno do Sol, diferente do que parece ter acontecido com Marte que é orbitado por apenas dois asteróides capturados, para além de ter perdido o seu campo magnético e deste modo a protecção aos raios cósmicos e aos ventos solares que assim lhe arrancaram a atmosfera, precisamente numa época em que o Sol, mais jovem, era mais activo.
A vida na Terra surgiu entre 3,5 e 4,5 mil milhões de anos, corolário provável de um conjunto de “homeostasias” como a nova força exercida pela gravidade de uma lua, a sua protecção em parte ao bombardeamento meteorítico tardio e a estabilidade magnética da Terra e do seu eixo em que o clima passa a ser regulado por estações. Na Terra, alguns dos fósseis mais antigos são estromatólitos datando para cima de 3,5 mil milhões de anos. Os estromatólitos são estruturas estratificadas formadas por camadas de cianobactérias.
A descoberta de que os sistemas naturais podem conduzir a reacções electroquímicas entre os minerais e o líquido circundante tem implicações importantes para o campo da astrobiologia, indicando que em qualquer lugar a presença de salmouras (água e sais) e de rochas ígneas poderão conduzir às condições necessárias ao aparecimento da vida. Tais eram as condições presentes nas fontes hidrotermais nas profundidades oceânicas como à superfície terrestre nas lagoas quentes pela actividade vulcânica na Terra Arqueana pré-biótica, onde os componentes essenciais dos nucleotídeos, plasmados primeiramente nos polímeros de RNA, fornecidos por meteoritos carbonáceos, aumentavam de concentração através de fenómenos de precipitação, evaporação e infiltração em ciclos contínuos de fases húmidas e secas. Estas condições seriam o catalisador que levaria à ligação dos blocos de construção molecular básicos e que dariam nascimento ao primeiro código genético que garantiria a replicação das primeiras proto-células (3).
Podemos concluir, com alguma segurança, que o aparecimento da vida foi transversal e simultâneo nos três planetas entre 3 e 4,5 mil milhões de anos porque existiriam as condições necessárias e suficientes para tal. O seu surgimento foi relativamente rápido, pois acredita-se que teria levado cerca de 550 milhões de anos a surgir no nosso planeta, ou seja o período de tempo que medeia entre a formação da Terra (4,5 mil milhões de anos) e o primeiro registo biogénico conhecido - LUCA (Last Universal Common Ancestor). Iremos assumir que o mesmo se tenha passado tanto em Vénus como em Marte.

Figura 2 - Um cladograma juntando todos os grupos principais de seres vivos ao Último Ancestral Comum (o tronco preto na parte inferior do diagrama). Este gráfico foi construído a partir de sequências de RNA ribosomal. – Fonte Wikipédia



Chegámos agora a um ponto do nosso conhecimento que nos possibilita explorar e estabelecer eventualmente linhas de aproximação com doutrinas muito antigas, sobre a evolução da vida planetária, nomeadamente daquelas defendidas pela Teosofia e por Helena Blavatsky na sua Doutrina Secreta (4) nos respectivos volumes da Cosmogénese e da Antropogénese.
Começaremos por tentar expor de forma sucinta e simples a estrutura do corpo desta doutrina quanto a este assunto.

Na Teosofia, a evolução planetária gira em torno do conceito das Rondas que está relacionado ao ciclo evolutivo dos Globos planetários e de múltiplas Humanidades. Segundo essa visão esotérica, o desenvolvimento da vida ocorre em vastos períodos de tempo, seguindo um esquema cíclico de evolução espiritual e material.

O conceito ligado à Constituição Septenária estende-se aqui à evolução planetária quando atribui a cada corpo do sistema solar, sob a designação de Globo, a existência simultânea de sete dimensões ou Globos que se desenvolvem numa sequência ou Cadeia formando uma chamada "Corrente de Vida". Desta sequência de Globos apenas um se torna materialmente visível. 
De acordo com a Teosofia, a Terra faz parte de uma Cadeia Planetária de Sete Globos, onde a vida evolui passando por cada um deles em sucessivas Rondas. Cada Ronda representa um ciclo completo no qual desenvolvem-se outras formas de vida e a própria humanidade, evoluindo em progressivos níveis de existência.
Este conceito evolutivo envolve três sistemas concatenados, que iremos descrever, e estende-se sobretudo aos planetas telúricos do Sistema Solar:
a) Os Globos em número de sete, que tal como a Constituição Septenária humana remete a sua origem ao Modelo Padrão da Física das Partículas, como já propusemos noutras exposições nossas, e assim, serem indexados aos três campos quânticos mais a matéria fermiónica que aqueles estruturam, - o designado Quaternário, a saber a Força Electromagnética, Força Nuclear Forte e Força Nuclear Fraca, e ainda o Ternário de campos quânticos covariantes, ainda desconhecidos mas cada vez mais levados em conta pela Ciência. No seu conjunto, distribuídos temporalmente por quatro níveis de actividade (o efeito do tempo sempre na ordem de mil milhões de anos, na acumulação e consequente aprimoração das características evolutivas), são também conhecidos pelas tradições ocultistas pelos símbolos alquímicos de Terra, Água, Ar e Fogo.
Na prática este sistema das Cadeias implica que em cada Ronda se verifiquem processos de construção e destruição, sintropia e entropia, Rajas e Tamas na filosofia hinduísta, em que aquelas referidas forças do Modelo Padrão tem um papel fundamental e reconhecido na formação planetária. Estas tem em cada Ronda o corolário da sua actividade no Globo D, manifesto no planeta materialmente visível, onde as forças se mantém em equilíbrio, o aspecto hinduísta Sattva, fundamental ao surgimento de humanidades através das quais a Consciência (existente no entanto desde as origens) vai evoluir progressivamente para patamares superiores.

b) As Cadeias também estruturadas em ciclos de sete onde o percurso de cada uma define ou activa uma Ronda, na sua totalidade criando assim sete Rondas, em que são percorridos 49 Globos (7x7). Ao completar-se uma Ronda, o mesmo é dizer o percurso de uma Cadeia, vão se actualizando as propriedades inerentes às características evolutivas internas dos Globos. Ou seja na primeira Ronda são percorridos todos os Globos, na segunda Ronda não se passa pelo Globo A, na terceira Ronda não se percorrem os Globos A e B e assim por diante, como se no avanço de cada Ronda os processos dos Globos anteriores tivessem sido assumidos e se apresentassem actualizados ou adquiridos. Um aspecto importante no funcionamento da Natureza: sustentabilidade com economia de recursos. Assim o Globo D, único que se revela na dimensão material em todas as cadeias planetárias, assume a evolução e os estados dos restantes seis e passa a ser um Globo de charneira na respectiva Cadeia que se desenvolve em determinado éon. Os Puranas hinduístas designam os Globos por Dvipas sendo a Terra conhecida por Jambudvipa.

c) Finalmente, cada Globo é constituído por sete fases evolutivas (Raças ou Humanidades) sendo que estas por sua vez se desdobram em sete outras sub-fases cíclicas evolutivas (designadas pela Teosofia como Sub-raças). Globalmente o sistema evolutivo é definido por um esquema temporal de 7x7x7 = 343 que atira a origem da Humanidade para uma antiguidade de éons de tempo realizada em Globos (corpos planetários) de diversas características e dimensões.

Como a doutrina postula que cada planeta evolui durante sete Rondas, no nosso caso estará o planeta Terra a atravessar o período correspondente à 4ª Ronda. 

 Diagrama I – Diagrama interpretativo de Globos terrestres baseado em Geoffrey Farthing (5).

Upadhi significa veículo.


Esta estrutura toma por base que cada planeta é um organismo vivo (podemos considerá-lo próximo do conceito Gaia) que durante éons de tempo evolui desde uma forma não física (A, B e C), no sentido em que resulta da interacção das forças nucleares fracas e fortes, do decaimento radioactivo, bem como das potentes forças electromagnéticas que estão presentes no início da formação planetária, passando depois pela forma densa (D), a agregação de matéria que origina o próprio planeta até atingir, éons depois, passados que foram muitos mil milhões de anos, formas, considerados pela doutrina de desenvolvimento “subtil”, onde despontam forças, que atribuímos aos campos quânticos covariantes (G).
Em conclusão:
a) Sete Globos: A vida evolui em sete Globos, quatro materiais e três tidos por mais “subtis”. Aqui consideramos os Globos as fases de formação e evolução diferenciada do planeta.
b) Sete Rondas: Em cada Ronda, outras formas de vida e finalmente a humanidade, passam por todos os sete Globos.
c) Cada Ronda traz consigo um salto evolutivo: A cada ciclo, a consciência e a forma física evoluem para níveis mais elevados de desenvolvimento.
d) Actualmente, estamos na Quarta Ronda: Segundo a doutrina teosófica, a humanidade está presentemente na quarta Ronda, vivendo no Globo da fase D (a Terra).
Por mais inacreditável que pareça, este diagrama e os conceitos nele expresso têm a ver de certo modo com a evolução biogénica conhecida hoje e que anteriormente expusemos. 
A formação planetária, de acordo com a Teosofia e outras tradições esotéricas hinduístas, é dividida em seis fases que envolvem tanto 4 aspectos físicos já referidos (correspondentes a Stula Sharira, Prana Sharira, Linga Sharira e Kama-Manas) quanto a 3 espirituais (Manas, Budhi e Atma), que consideramos serem campos quânticos covariantes, e dos quais tencionamos consolidar ideias mais à frente. 
As seis fases podem ser descritas da seguinte forma:
1. Fase de Formação ou “Período de Incubação”
O planeta inicia a sua formação a partir de uma nuvem de gás e poeira interestelar, onde a gravidade, por imposição do espaço-tempo curvo na presença progressiva de massas por aglomeração da matéria, começa a formar um corpo mais sólido. “Espiritualmente”, essa fase é descrita como um período em que as energias da matéria densa começam a se manifestar com os processos de decaimento radioactivo dos átomos e onde as interacções nucleares forte e fraca participam da fissão nuclear e da fusão nuclear.
2. Fase Protoplanetária
Em termos físicos o planeta apresenta-se num estado primitivo que se traduz na formação da sua crosta e nas condições iniciais propícias para o surgimento da vida. Em termos “espirituais”, é o momento em que os "elementais" ou as forças electromagnéticas decorrentes do campo magnético do planeta, em conjunto com a acção do vento solar e as condições geomorfológicas começam a moldar a matéria de inorgânica para complexos orgânicos próprios do processo da biogénese. Nesta fase as correntes de Birkeland desempenham um papel importante. Constituem fluxos de partículas carregadas (plasmas) que seguem as linhas do campo magnético e podem ligar diferentes corpos celestes, como o Sol e a Terra, ou até galáxias inteiras.
3. Fase de Evolução
O planeta passa por uma fase de evolução rápida, tanto de crescente organização orgânica (material) quanto da emergência dos primeiros sistemas ligados à actividade sensorial e senciente (espiritual). Constrói-se a capacidade dos primeiros organismos serem afectados positiva ou negativamente. É a capacidade de ter experiências e da selecção natural inteligente. Não é a mera capacidade para perceber um estímulo ou reagir a uma dada acção, como no caso de uma máquina. Deste modo, os primeiros organismos unicelulares iniciam a evolução “espiritual” percorrendo futuramente cadeias de aprendizagem e desenvolvimento de consciência sempre mais complexas. 
4. Fase de Consolidação
O planeta transforma-se num local habitável, e as formas de vida começam a diversificar-se por razões das experiências que desenvolvem. Em termos “espirituais”, essa fase é associada ao surgimento das designadas “Raças” e “Sub-raças”, espelho de diferentes condições sencientes e que impõem o desenvolvimento dos órgãos neurológicos mais complexos.
5. Fase de Desintegração
Com maior ou menor probabilidade, o planeta passará por processos de destruição ou desintegração, seja por causas cósmicas (como colisões com outros corpos celestes, no caso da Terra, a colisão com o proto planeta Theia que origina a formação da Lua) ou por uma evolução natural de seu ciclo de vida. Este é o considerado período de descanso ou "Pralaya" com o retorno a um estado mais “subtil”, precursor de um novo ciclo ou de uma nova Ronda.
6. Período de “Pralaya”
O planeta entra num período de regeneração, onde as condições anteriores relativas à consciência e à matéria entram num novo ciclo de manifestação. Esse estado é uma pausa de reflexão e reorganização “espiritual”. Os impactos têm sempre este condão de provocar saltos qualitativos.
Podemos dizer que a evolução do planeta obedece aos designados “planos de manifestação”, onde por exemplo o “Plano Físico” da Terra (a matéria fermiónica corporizada pela leis físicas conhecidas que a regem) ocorre nas três primeira fases da Cadeia (A,B e C), mas sobretudo no presente éon (D), não deixando, no entanto e logicamente, de evoluir em outros planos representados pelos Globos antecedentes (fase descendente do diagrama I). É uma ideia muito interessante, face ao desconhecimento ao tempo dos processos nucleares internos das estrelas e da formação planetária. Esta integração dos Globos, numa concepção aparente do espaço ocupado simultaneamente por três campos de natureza quântica e de outros futuros três que nesta actual Ronda da Terra ainda não existem, por não se ter esta Cadeia ainda completado. No entanto já coexistem, como existências sencientes adimensionais, derivados de Cadeias temporalmente anteriores nos seus processos evolutivos mais tardios (fases ascendentes). 
Como disse Antoine Lavoisier (1743-1794), fundador da Química moderna, “Nada se perde, tudo se transforma”.
Assim, as 3 dimensões iniciais referidas no II Diagrama, integradas nos “Planos da Manifestação”, poderiam ser consideradas como sendo de natureza idêntica aos campos quânticos, a saber o campo electromagnético (no diagrama a fase C) que está ligado presentemente aos efeitos dos campos eléctricos e magnéticos terrestres, o campo das forças fracas, (B) ligado aos fenómenos de decaimento radioactivo gerador do calor interno do planeta, controlando o “humor” do planeta através da sua actividade vulcânica e tectonicidade, e finalmente o campo das forças nucleares fortes que substancialmente mantêm o planeta coeso como um corpo único (A).


Diagrama II - Comparação entre os princípios da constituição Septenária

no Homem e na formação planetária. Baseado em Geoffrey Farthing (5)



Neste corpo doutrinário, a Humanidade evolui de acordo com as Rondas sendo atribuída a noção de Raça, que nada têm a ver com o conceito racial, aos estádios evolutivos da espécie em que as características espirituais seriam cada vez mais apuradas, despertando as nossas capacidades internas e presentemente pouco evidentes. Assim, segundo a doutrina teosófica estaríamos actualmente, e maioritariamente, a atingir a 5º Raça, a Ariana. A 3ª Raça teria sido a do continente Lemuriano (os recentes descobertos Hobbit da ilha das Flores na Indonésia ou o Homo luzonensis nas Filipinas seriam os seus descendentes) e a 4ª, aquela relativa aos gigantes do continente da Atlântida descrito por Platão e possíveis construtores do megalitismo presente em todas as antigas civilizações da Terra e referidas nas suas mitologias.
Fundamentalmente esta concepção da Vida e da sua natureza não atribui propriamente uma origem ou começo, muito menos a um acto de criação, mas um ciclo contínuo de transformação onde a existência de um vector na evolução define os impulsos internos da própria natureza, talvez resultado de uma dimensão arquetípica – uma Mente Universal. Deste modo, a Terra e os restantes planetas pré-existiram sob a forma de Globos fisicamente ou materialmente invisíveis (em dimensões de correntes de plasma e electromagnéticas) antes mesmo da formação material do Sistema Solar. Pressupõe-se então, que a actual existência física dos planetas foi antecedida por formas não materiais (no sentido fermiónico do termo) onde deveriam prevalecer campos quânticos que definiriam o futuro da sua natureza.
 Não deixa de ser uma teoria absolutamente inovadora e que se enquadraria sem dificuldade nas actuais hipóteses da Cosmologia e da Astrofísica, nomeadamente da Astronomia Planetária, vindo de certo modo ao encontro dos problemas enfrentados pela actual crise nestas ciências.
Ponto de possível encontro entre a ciência e estes conceitos teosóficos é o postulado compartilhado do aparecimento simultâneo da vida em diversos corpos planetários no sistema solar. Vejamos então.
Segundo este esquema, que foi basear-se nas milenares Estâncias de Dzyan, na Cabala Hebraica e no Budismo do Norte, primeiramente tem formação o planeta não-material (fases A e B) pelo surgimento de extensos campos toroidais eléctricos (os conceitos Fohat e Jiva) criados pelos vórtices de plasma das ejecções de material coronal da estrela em formação (o Sol). 
A agregação de material nebular em consonância com estes campos toroidais, conduzem à formação de um corpo esferóide, e só depois de existir massa crítica necessária se inicia o processo de criação do campo toroidal magnético interno (fase C) - seja pelo crescimento acelerado de um núcleo metálico de ferro e níquel, seja pela criação de bolsas magmáticas e circulação de fluidos magmáticos internos e mais tarde pelo surgimento de um sistema de placas tectónicas. 
Inicia-se a actividade vulcânica nesta fase que é a expressão maior deste Globo onde se criam as condições bióticas para o aparecimento da vida (fase D). 
Todas estas fases duram éons de tempo – Manvantaras e Pralayas planetários, sobre as quais nos iremos debruçar mais à frente.
Ora é sabido que Vénus possuiu oceanos e um campo magnético forte tendo havido condições para ter surgido vida, que logo desapareceu pelo atroz efeito de estufa. É o planeta mais antigo a manifestar vida e encontra-se na 5ª Ronda, segundo a Teosofia. O futuro longínquo da Terra, que se encontra na 4ª Ronda será então algo semelhante ao actual ambiente venusiano?
Marte teria 1/3 da sua superfície ocupada por oceanos, uma ténue atmosfera, mais densa que a actual, mas um campo magnético extremamente fraco que não protegeu as primeiras formas de vida. No entanto presentemente situa-se na 4ª Ronda.
A Terra, ao ter sido impactada pelo proto-planeta Theia, adquire um núcleo interno, um acréscimo significativo do solvente universal (a água), placas tectónicas, ganha uma lua que cria sinergias com o planeta e tem assim condições para que a vida vingue e evolua estando na 4ª Cadeia assim como Marte. Seria, portanto, possível voltar a acelerar o aparecimento de vida em Marte, talvez pelo processo de “terraformação” de acordo com alguns projectos ficcionistas actuais de engenharia planetária.
Segundo a Teosofia a Lua é definida como um resíduo de Globo muito maior, que foi o planeta físico da 3ª Cadeia mantendo a mesma posição na 3ª Cadeia que aquela mantida pela Terra na 4ª Cadeia e que irá desaparecer no futuro (na 7ª Ronda). Nisto a coincidência parece ser total.
Interessante verificar que tanto Júpiter como Saturno, se encontram na 3ª Cadeia levando a crer que os processos bióticos ainda não estão em curso, mas que poderão ter-se iniciado nas suas luas Titan, Europa, Encélado, e que poderão corresponder aos 3 “Esquemas Sem Nome” que existem no diagrama da estrutura do Sistema Solar e que nem a Teosofia, nem Blavatsky, conseguiram definir, referindo apenas que eram planetas que ainda não existiam (ver diagrama III).
Na actual 4ª Ronda a Teosofia acrescenta que a Terra, Mercúrio e Marte possuem as mesmas características físicas (fase D), ou seja, possuem núcleos densos de ferro e níquel, água sobretudo nas condições de permafrost ou em glaciares nas zonas polares, o que coincide também com o actual conhecimento sobre a estrutura interna destes planetas. Marte inclusive apresenta sismicidade detectada muito recentemente pela sonda InSight da NASA que registou até agora centenas de sismos ou “martemotos” atestando que o planeta é geologicamente activo, apesar de não ter sido confirmada ainda a existência de um sistema de placas tectónicas como na Terra.
Verifica-se então alguma semelhança, em termos gerais, daquilo que a Ciência tem vindo a descobrir e a levantar hipóteses, com aqueles axiomas revelados pela doutrina teosófica e por Helena Blavatsky na sua obra Doutrina Secreta.

Diagrama III - Representação do nosso Sistema Solar com os seus 10 esquemas de evolução, cada um formado por 7 Cadeias de 7 Globos com as suas sete Raças (5).



A concepção dos Globos insere-se numa hierarquia evolutiva em que numa Cadeia um Globo dura um período Manvantárico e a passagem de um Globo para outro medeia éons de tempo designados no sânscrito por Pralayas Planetários. O mesmo se aplica aos ciclos entre Cadeias designado como Pralaya intercatenário. Sete Cadeias constituem um “Esquema Evolutivo” sendo considerado que o nosso Logos Solar é constituído por 10 “Esquemas Evolutivos” (Diagrama III). 
Cada “Esquema Evolutivo”, como vimos anteriormente, representa patamares sempre mais evoluídos dos Globos onde a dualidade – construção/dissolução, é o mecanismo de aprimoramento evolutivo.
As cadeias desenvolvem-se de acordo com a proximidade dos planetas ao Sol e tomam o seu nome. Aqui surge uma cadeia denominada de Vulcano que pressupõe a existência de um corpo mais próximo do Sol para além de Mercúrio. Tal nunca foi verificado pela astrometria ou por observações astronómicas directas, o que não invalida a hipótese de tal existência se a remetermos para o início da formação do Sistema Solar.

Talvez outras conexões nos ajudem a desvelar mistérios seculares.

Exploremos uma ligação entre a Tetraktis Pitagórica e o sistema teosófico das Rondas e dos Globos, revelada pela presença de uma constante numérica, infinitamente evolutiva em direcção à perfeição, representada por uma suposta constante, designada por Número de Ouro ou Phi (φ), cuja origem muito antiga é remetida para as concepções de sistemas metafísicos e de hierarquias espirituais ligadas à evolução cósmica dos Vedas, amplamente representada na arquitectura monumental sagrada, e que milénios depois vai continuar a reflectir-se nas concepções cosmológicas herméticas da cabala e da alquimia ou ainda nas estruturas filosóficas hinduístas (Rajas, Sattva, Tamas) ou no Yin/Yang chinês (recriando os ciclos de criação/destruição). Mais tarde (Idade Média e Renascimento) deixa a sua marca no delineamento da construção das catedrais, na arte escultórica e na pintura.
De forma sintética e simbólica a Tetraktis (do grego τετρακτύς), representa uma figura geométrica envolvendo a distribuição espacial triangular de 10 pontos em arranjos de 4 linhas (1+2+3+4=10), representando a Década Pitagórica (que na cabala serão os 10 Sephirots ou a Árvore da Vida), simbolizando a unicidade cósmica na geração dos seguintes elementos:

1 Ponto = a Unidade/Fonte Divina/Fogo.
2 Pontos = a Dualidade/Espírito versus Matéria/Ar.
3 Pontos = a Tríade ou o interface-harmonia/Água.
4 Pontos = a Tétrada ou a manifestação do mundo material/Terra.

Figura 3 - Tetraktis


Com a Teosofia e Helena P. Blavatsky esta estrutura, é reinterpretada de acordo com a estrutura da evolução cósmica representada pela Constituição Septenária onde o Quaternário (plano material: Stula Sharira, Prana Sharira, Linga Sharira e Kama-Manas ) e a Tríade (os 3 planos espirituais: Manas, Budhi e Atma) são alinhados com as quatro camadas pitagóricas, no total perfazendo sete níveis que reflectem a dualidade entre os reinos numénico (espiritual) e fenomenal (material).
Como vimos anteriormente, o sistema teosófico descreve nas Cadeias Planetárias a existência total de sete Globos (de A a G), sob dois arranjos, um descendente de 3 Globos (de A a C) e outros 3 ascendentes (de E a G) que correspondem às três primeiras camadas da Tetraktis Pitagórica (os elementos alquímicos Fogo, Ar e Água) e onde o Globo D alinha com a sua 4ª camada (o elemento alquímico Terra). Assim, pretende-se que estes 4 planos governem a evolução material e senciente no Kosmos. Estas Cadeias são percorridas sete vezes (sete ciclos de Rondas ou Correntes de Vida). A Década Pitagórica simboliza a totalidade de ciclos cósmicos feitos pelas sete Rondas e representados também no Diagrama III. 

Conclusão sobre estes dois sistemas simbólicos unificadores:
A Tetraktis como arquétipo representa a forma numérica e geométrica da estrutura Septenária Teosófica em que ambos os sistemas partilham a mesma visão da evolução codificada, por um lado pela geometria sagrada da Tetraktis e por outro lado, pela dinâmica cíclica das Correntes de Vida Teosóficas, concebida como uma jornada espiral partindo da Unidade para a diferenciação material e de regresso à síntese última representada de novo pela Unidade.


  


Figura 4 - Triângulo de Pascal e a emergência de Fibonacci



Por outro lado, o Triângulo de Pascal codifica matematicamente a Sequência de Fibonacci através de somas numéricas feitas em linhas diagonais de 45º. No triângulo de Pascal cada termo resulta da soma dos dois termos anteriores enquanto na Sequência de Fibonacci cada termo é a soma na diagonal de dois termos prévios. Á medida que a sequência cresce em valor, a razão Fn+1/Fn aproxima-se de Phi (φ) ou ~1.618 designado por Número de Ouro que reflecte o crescimento recorrente presente na Natureza sob a forma de espirais (desde as galáxias até à flor do girasol), espelhando a crença pitagórica na harmonia matemática e o tema transversal e unificador de todos os aspectos do Kosmos (espirituais e materiais). 
Afinal, como confirma a doutrina hermética, o que está acima é como o que está abaixo, como tudo estivesse interligado. Assunto que a Física Quântica já demonstrou com o “entanglement” ou emparelhamento e o sistema de Informação Quântica.


Resumo das relações

Conceitos

Padrão chave

Conexão com os outros

Tetracktis

1+2+3+4 = 10

Simbolismos numéricos e triângulos

Triângulo de Pascal

C(n,k) = C(n-1,k)+C(n-1,k-1)

Gera Fibonacci via linhas diagonais

Fibonacci

F(n) = F(n-1)+F(n-2)

Emerge do triângulo de Pascal

Phi φ

1,618…

Emerge da Sequência de Fibonacci



Chegados aqui, colocar-se-á a questão da razão desta abordagem e ao inultrapassável assunto ligado às formas triangulares. 
Tenhamos em conta que o triângulo representa a única hipótese de construção de uma superfície. Com dois pontos apenas obteremos uma linha, mas juntando três pontos geramos superfícies triangulares com que podemos construir algo sólido. 
É o caso dos sólidos platónicos formados por poliedros convexos cujas faces são polígonos regulares congruentes em que os ângulos nos vértices são iguais. São eles o Tetraedro (4 faces triangulares), o Cubo ou hexaedro (6 faces quadradas que podem ser decompostas em 12 triângulos, o Octaedro (8 faces triangulares), o Dodecaedro (12 faces pentagonais que podem ser desdobradas em 24 triângulos) e o Icosaedro (20 faces triangulares).
Vemos que as formas triangulares têm uma forte presença na construção daqueles 5 sólidos platónicos porque são estruturalmente estáveis e não podem ser deformados sem alterar o tamanho dos lados. Três dos cinco sólidos platónicos são totalmente compostos por triângulos equiláteros:
Tetraedro (4 triângulos)
Octaedro (8 triângulos)
Icosaedro (20 triângulos).

Mostra que o triângulo equilátero é uma das formas fundamentais para a construção de sólidos altamente simétricos e estáveis. Além disso, o tetraedro é o único sólido platónico que tem o menor número de faces e vértices possíveis, servindo como base estrutural para muitas outras formas geométricas. É assim que no Timeu, Platão faz corresponder os “quatro elementos”, a estes sólidos, a saber o Fogo (tetraedro), o Ar (octaedro), a Água (icosaedro), a Terra (cubo), tendo atribuído ao dodecaedro a estrutura do próprio Universo.
Revelo agora o meu propósito.
Chegados aqui, recorro à teoria actual de quantização do espaço e da gravidade quântica em loop, que advoga que o próprio espaço, não sendo vazio, é um campo quântico covariante por conter todos os outros, como uma “espuma” de tensores ou de momentos magnéticos, spins, à escala de Planck (10-35 metros). Isto configura uma estrutura pluridimensional de nodos interligados numa rede complexa visualizada em unidades de formas triangulares, como tem sido defendida em grafismos pelo astrofísico teórico italiano Carlos Rovelli, e na nossa opinião provável veículo e suporte do fenómeno de emparelhamento (o Akasha védico de que falaremos adiante).
 

Figura 5 – Simulação gráfica da espuma de spins


Pensamos que será útil ao leitor reservarmos algum espaço a este assunto e enfatizar estes aspectos científicos quase de pendor oculto e de matemática impenetrável, face à sua crescente importância na formulação de uma visão holística do mundo que passa pela unificação de duas “mecânicas”: a Relativista Einsteiniana e a Quântica.

A designada “espuma de spins” é um conceito fundamental na “Gravidade Quântica em Loop” (GQL), no quadro da unificação da relatividade geral e da mecânica quântica, ao propor que o espaço-tempo não é contínuo, mas tem uma estrutura “discreta” (no sentido de quantum) na escala de Planck. 
Constitui uma abordagem teórica baseada num modelo matemático que descreve a evolução do espaço quântico ao longo do tempo e descreve o espaço-tempo como uma rede de nós e laços, os elementos básicos derivados da sua quantização, tal como os átomos são os blocos fundamentais da matéria. 
O espaço-tempo deixa de ser um continuum suave, como na Relatividade Geral, para se transformar numa teia de interacções quânticas discretas, a originada pela designada quantização, formada por unidades mínimas, chamadas áreas e volumes quânticos.
Deste modo o espaço tridimensional é representado por redes de spins, que são grafos com arestas rotuladas por números que indicam momentos angulares quânticos que ao evoluírem no tempo adquirem uma estrutura quadridimensional.

Este modelo introduz uma nova visão relativamente à gravidade concebida até agora como uma força, que agora passa a ser descrita como o somatório de histórias evolutivas na gravidade quântica, de maneira similar à formulação dos Diagramas de Feynman na mecânica quântica. 
Em vez de partículas definidas por trajectórias clássicas, o espaço-tempo é agora descrito como uma superposição de geometrias possíveis, cada uma representada por uma rede de spins que evolui no tempo. Este modelo vem explicar a origem do Universo por uma emergência de um estado quântico discreto, uma flutuação quântica do vazio, e assim obviar à existência de singularidades, incluindo aquelas atribuídas aos Buracos Negros e evitando a perda da informação quando a matéria é engolida por eles.

A rede de spins descreve pequenos volumes do espaço que estão conectados, o que implica que a estrutura geométrica do espaço-tempo seja devida à existência de um grau de emaranhamento entre os laços de spin cuja evolução no tempo representa a reconstrução dinâmica da geometria do próprio espaço-tempo que pode ser agora entendida como um código quântico, onde o emaranhamento entre regiões da rede de spins age como a cola que mantém o espaço conectado de forma instantânea como fenómeno global de não-localidade. É também explicada de acordo com o Princípio Holográfico que postula que toda a informação pode ser armazenada na fronteira de um volume de espaço geométrico como as redes de spins e o emaranhamento. Esta ideia surge no contexto dos códigos quânticos tensoriais, que mostram que as estruturas geométricas podem emergir de redes de qubits altamente emaranhados. É assim que hoje em dia funciona a tão propalada, mas pouco compreendida, computação quântica.
Se o espaço-tempo emerge de um processo de informação quântica, pode então ser descrito como um código de correcção de erros quânticos. Isso significa que o Universo pode ser visto como um processador de informação quântica (não um computador!), onde a geometria do espaço-tempo mantém uma estrutura estável devido a este processo de codificação quântica, que confere protecção contra a decoerência e “ruído quântico” devido à presença de sistemas físicos ambientais, tornando-o assim robusto face às flutuações quânticas. Assim, as flutuações quânticas do vazio ou do vácuo, que é o mesmo que dizer do espaço-tempo, poderiam ser interpretadas como se fossem resultado de erros que são constantemente corrigidos pela rede de spins e pelas conexões emaranhadas.
Como é sabido, as flutuações quânticas surgem devido ao Princípio da Incerteza de Heisenberg, precisamente porque o vácuo quântico não é realmente vazio, mas cheio de partículas virtuais e de variações aleatórias nos próprios campos quânticos que lá residem. Essas flutuações explicam os fenómenos atribuídos ao Efeito Casimir (atracção entre placas devido a flutuações no vácuo), a já mencionada Radiação Hawking (onde as flutuações quânticas perto do Horizonte de Eventos dos Buracos Negros geram pares partícula-antipartícula), e a Espuma Quântica de Spins (flutuações na própria estrutura do espaço-tempo à escala de Planck). A Gravidade encontraria também aqui a razão da sua existência.

Isto poderá ter um significado mais profundo que se espraia pela natureza material: as partículas subatómicas, os fermiões e os bosões, que constituem a matéria e as forças conhecidas (Força Electromagnética, Forças Nucleares Forte e Fraca) que fazem parte do actual Modelo Padrão, acabam por ser o resultado desta actividade de correcção de erros e de onde literalmente emerge outro fenómeno, a gravidade. O actual conceito de “Filamentos Gravitacionais” surge então das conexões geométricas que emergem da correlação entre diferentes regiões do espaço-tempo e das massas em redor. As flutuações do campo quântico do bosão de Higgs seriam encarregues desta correlação 
O bosão de Higgs (erradamente conhecido como a Partícula de Deus), deverá ter um papel na nas flutuações quânticas, a que está sujeito sendo um campo quântico, e potencialmente, de forma directa no colapso da função de onda. Esse papel derivará do mecanismo ligado às correcções quânticas de erros, explicando porque a sua massa não é muito maior do que os 125 GeV (o Problema da Hierarquia) e conferindo assim estabilidade e robustez ao tecido do espaço-tempo, e explicando também o aspecto da estrutura cósmica presente evidenciada no Fundo Cósmico de Micro-ondas.
De facto a mecânica quântica tradicional não explica o como ou o porquê do colapso de onda. Assume apenas que o colapso da função de onda ocorre aquando da interferência da medição.
Propostas (como a de Roger Penrose) sugerem que o colapso da onda está relacionado com a massa ou energia envolvida no sistema quântico (relação dada pela fórmula E=mc2). Como o bosão de Higgs dá massa às partículas, afectará indirectamente a forma como a construção dos sistemas massivos evoluem de estados quânticos para estados clássicos e dar origem ao aparecimento do efeito gravítico. A gravidade não é uma força mas apenas o espaço-tempo curvado sob a influência dos sistemas massivos, de acordo com a Relatividade Geral.
Apesar de tudo, ainda não há um modelo bem estabelecido, mas o caminho está feito, que ligue directamente o Higgs ao colapso da função de onda, constituindo um dos problemas fundamentais na interpretação da mecânica quântica.

Porém este corpo teórico da Física Quântica encontra eco nas milenares doutrinas védicas. O bosão de Higgs corresponderia ao Antaḥkaraṇa (अन्तःकरण) vedanta, presente como mediador entre o Ternário e o Quaternário na Constituição Septenária teosófica, o interface e ao mesmo tempo veículo que metaforicamente em todas as teogonias é descrito como a queda do espírito na matéria.

Também na cosmogonia védica encontramos conexões profundas com os modelos actuais da cosmologia.
Um dos modelos de correcção de erros quânticos mais conhecido é o código tensorial HaPPY (Holographic Perfect Tensor), baseado na geometria hiperbólica. Fornece um modelo para o espaço-tempo no modelo amplamente aceite do astrofísico Juan Maldecena e conhecido por AdS/CFT - Correspondência Anti-de Sitter/Teoria de Campos Conforme (Anti-de Sitter/Conformal Field Theory). Assume que aquele é construído a partir de qubits entrelaçados que, como vimos anteriormente, torna o Horizonte de Eventos de um Buraco Negro numa região protegida por um código quântico implicando que a informação pode ser recuperada de um Buraco Negro (resolvendo o paradoxo da “Informação de Hawking”). 
Ou seja, o próprio espaço-tempo possui uma estrutura redundante, a superposição quântica, permitindo que a mesma informação possa ser armazenada em múltiplos locais dentro daquela estrutura holográfica que lhe é própria.
Esta ideia é muito interessante por dar-nos pistas sobre a origem do Universo. 
Sabendo que todas as galáxias possuem um NGA (Núcleo Galáctico Activo) que corresponde a um Buraco Negro Supermassivo (SMBHs), com milhões a mil milhões de massas solares, de onde parece emergir o próprio nascimento da galáxia, leva-nos a pensar que SMBHs e galáxias crescem juntos, partilha esta teorizada como “co-evolução galáctica”, fundamental para o estabelecimento da relação entre a massa de qualquer SMBH e a dispersão das velocidades das estrelas no seu núcleo galáctico. 
Aliás, encontramos acordo perfeito com a teoria CCC de Roger Penrose (Cosmologia Cíclica Conforme). Esta foi proposta como uma alternativa ao modelo padrão do Big Bang. A ideia principal é que o universo passa por ciclos sucessivos de expansão e dissolução, chamados de eons (aions). Aqui o fim de um Universo transforma-se no começo de um novo, sem necessidade de um Big Bang com singularidades mas apenas por reescalonamento da geometria conforme da métrica do espaço-tempo que preserva ângulos, mas não distâncias.
De acordo com a Teoria CCC, num futuro extremamente distante, o Universo torna-se cada vez mais homogéneo, inclusivamente sem partículas massivas, onde predominarão apenas fotões e a dissipação ou evaporação de Buracos Negros através da Radiação Hawking, com isto gerando um novo ciclo (eon) a partir do que era o infinito futuro do eon anterior. Deste modo surgem ciclos infinitos de Universos.
Sir Roger Penrose e colaboradores afirmam ter encontrado padrões circulares no Fundo Cósmico de Micro-ondas (CMB - Cosmic Micro-wave Background) que poderiam ser vestígios da evaporação de Buracos Negros pertencentes a um eon anterior. 

Como corolário de toda a informação tratada até agora, constatamos que afinal não estamos longe dos conceitos da geometria pitagórica da Tetraktis, dos sólidos platónicos, e da geometria espacial e temporal das “Correntes de Vida” ou Rondas, carregadas de Informação Quântica pela concepção vedanta e hinduísta da Tríade concebida funcionalmente como um todo (o verdadeiro Gestalt):

a) Atma (आत्मन्) = Informação quântica pura, o princípio fundamental gerador da Consciência; 

b) Budhi (बुद्धि) = Intelecto ou discernimento que analisa, discrimina e toma decisões “racionais” e tem a capacidade de discernir entre certo e errado, tida como sede da intuição e portanto das flutuações quânticas interpretadas e sujeitas a correcção como erros emergentes;

c) Manas (मनस्) = tida como a mente inferior que recepciona estímulos e impulsos, a geometria holográfica da rede de spins, indutora do fenómeno de não-localidade e de fluxos de emaranhamento. 

Como escreveu Erwin Schrodinger “The total number of minds in the universe is one. In fact, consciousness is a singularity phasing within all beings” (Erwin Schrödinger, 1944, “What Is Life? and Other Scientific Essays.”).

Os Upanishads no capítulo VIII, AITAREYA, é-nos dito “Brahman, fonte, sustentação e fim do Universo, participa de todas as fases da existência. Ele acorda com o homem que acorda, sonha com o que sonha e dorme o sono profundo do que dorme sem sonhar; porém ele transcende esses três estados para se tornar ele próprio. Sua verdadeira natureza é a consciência pura.” (7)
E no capítulo MUNDAKA “Como a teia vem da aranha, como as plantas crescem do solo e o cabelo do corpo do homem, assim jorra o Universo do eterno Brahman.
“Brahman quis que fosse assim, e extraiu de si mesmo a causa material do Universo, disso veio a energia primordial; e da energia primordial a mente; da mente os elementos subtis; dos elementos subtis os diversos mundos; e de acções realizadas por seres nos diversos mundos a cadeia de causa e efeito – a recompensa e punição das acções.
“Brahman tudo vê, tudo sabe, ele é o próprio conhecimento. Dele nascem a inteligência cósmica, o nome, a forma, e a causa material de todos os seres criados e das coisas.”

Mas poderíamos ainda recorrer à Estância Segunda do UTTARA GITA (8), o cântico da Iniciação de Arjuna após a batalha de Kurukshetra, descrita no BHAGAVAD GITA: “Este Brahman modelado com Terra dissolve-se na Água; a Água seca-se pelo Fogo; o Fogo é devorado pelo Ar; e o Ar é absorvido por sua vez pelo Akasha.
Mas o mesmo Akasha assemelha-se à mente, a mente a Buddhi, e Buddhi ao Ahankara, o Ahankara ao Chittam e o Chittam ao Atma.”

Em conclusão, e fazendo uso de linguagem moderna dos últimos desenvolvimentos teóricos da ciência, a ligação antevista entre “Espuma de Spins”, emaranhamento e a teoria da Informação Quântica, sugere que o espaço-tempo pode ser uma estrutura emergente, sustentada por padrões de emaranhamento quântico. Por outras palavras, a realidade que percebemos pode ser uma manifestação de redes quânticas de informação, algo parecido com um código quântico cósmico de que o fenómeno gravítico é apenas outra manifestação trabalhada pelo bosão de Higgs.
Esta poderia ser a versão moderna, em linguagem científica, dos Upanishads ou do Bhagavad Gita.

Pela frente temos Eons e Eons de tempo! 
Nas tradições filosóficas helenísticas, temporalmente mais próximas, Aion é uma divindade associada ao tempo ilimitado e cíclico, em contraste com Chronos (o tempo cronológico). No contexto Gnóstico os Èons são também entidades divinas, emanadas de uma entidade divina suprema – o Bythos ou o “Abismo”, interfaces entre a dimensão espiritual (o Pleroma) e o material (Kenoma). Partilham a sua actividade na criação do Universo e da Humanidade restabelecendo a harmonia cósmica (o Sattva hinduísta), funcionalmente através de emanações em pares de “sizígias”, masculino-feminino ou Rajas-Tamas no hinduísmo, construção-dissolução, sendo que a mais conhecida é “Pittis Sophia”, a Sabedoria, cuja “queda” teria dado origem ao mundo material.
Em tradições védicas e hinduístas, mais ancestrais, estas temporalidades ganham dimensões quantificáveis. Manvantara ou idade de Brahma ou Manu (Manu no hinduísmo e depois na teosofia é o criador de universos, mas também um período astronómico) deriva de "Manuantara", "Manu-antara" ou "Manvantara" e significa, literalmente, a duração de Manu, ou a duração da sua vida.
Assim, um dia e uma noite de Brahma corresponde a um ciclo Manvantárico e um Pralaya, ou seja, de construção e dissolução que corresponde a 8 640 000 000 anos terrestres, o que se aproxima dos valores calculados para a idade do Sistema Solar que é entre 4 571 000 000 e 5 000 000 000 de anos.
Multiplicar este valor por 365, que é o número de dias num ano, equivale a um ano de Brahma equivalente a 3 110 400 000 000 anos, enquanto um Maha Kalpa que é uma época ou Ciclo de Brahma é aquele valor multiplicado por 100 (ou 311 040 000 000 000 anos) e que segundo Helena Blavatsky corresponde aos períodos de actividade crescente (Maha manvantara) e decrescente (Maha pralaya) do Universo – a vida de Brahma.

Presentemente a Cosmologia estima que o nosso Universo tenha uma dimensão de 94 mil milhões de anos-luz e estará sempre em expansão, à velocidade da luz. A idade atribuída à nossa galáxia que é tão antiga quanto o Universo é cerca de 14 mil milhões de anos. Logo aqueles valores da doutrina teosófica superam em muito as nossas estimativas actuais, mas são valores a considerar numa teoria como aquela defendida por Roger Penrose, a CCC – Cosmologia Cíclica Conforme, em que os Universos surgem de outros antecedentes, acompanhando, como já vimos, a ideia de ciclos contínuos de construção e dissolução.

É estonteante a imensa e complexa estrutura de sistemas elaborados pelas antigas doutrinas védicas, expressa nas Estâncias de Dzyan, presentes nos Puranas, vertidas nos Upanishads, e reflectidas no Bhagavad Gita. Nelas se basearam posteriormente as diversas escolas Teosóficas, para explicar o surgimento do Universo, a sua natureza e a sua evolução. Contudo, de forma genérica, como verificámos, existem pontos comuns entre os conhecimentos científicos actuais e aquelas elaboradas teorias axiomáticas. 
Porém nunca encontrámos “humanidades” anteriores. 
Neste aspecto, a hipótese da existência de outras humanidades ou de outros seres vivos ao tempo da formação inicial do nosso planeta, poderá encontrar eco nas explicações dadas pela teoria do deslocamento das placas tectónicas terrestres. 
A recente descoberta de autênticos continentes de magma no interior da Terra está ligada ao estudo das chamadas "províncias de baixa velocidade de cisalhamento" (LLSVPs, na sigla em inglês), que são vastas regiões no manto inferior onde as ondas sísmicas se propagam mais lentamente. Essas estruturas podem ser interpretadas como regiões de rocha parcialmente fundida ou diferente na sua composição em relação ao restante do manto.
Tem-se por adquirido que o movimento das placas tectónicas influencia directamente a dinâmica do manto terrestre. Quando as placas oceânicas afundam em zonas de subducção, carregam o material frio para o interior do planeta, afectando a convecção do manto e potencialmente alimentando essas regiões profundas de magma. Deste modo criam-se as grandes plumas mantélicas conhecidas, que dão origem a vulcanismos intensos, como os hotspots de que são exemplos o Hawai e a Islândia.
Estes gigantescos processos geodinâmicos apagam em milhões de anos tudo o que tiver existido em fases iniciais da formação planetária. Se alguma proto-humanidade tiver existido, sob formas orgânicas semelhantes ou diferentes às nossas conhecidas, todos os indícios terão desaparecido. A interacção dessas regiões com a convecção do manto pode inclusivamente afectar o movimento das placas tectónicas e a formação de supercontinentes no futuro.

Somos insignificantes sobre este orbe terrestre. Em nossa ajuda vem aquilo que se pensa saber actualmente da escala temporal terrestre com 4,5 mil milhões de anos e dos primórdios da existência humana:
   a) Que os ancestrais da linha humana (os hominídeos), terão eventualmente aparecido apenas há 7 milhões de anos, isso representa apenas 0,0015% da história da presença humana no nosso planeta. Se a história da Terra fosse resumida a um dia de 24 horas, os hominídeos teriam aparecido às 23:59:59 horas, nas últimas fracções do último segundo.
   b) Que se incluirmos o genus Homo (Homo habilis com uma antiguidade em redor dos 2,8 milhões de anos), a percentagem retrocede para 0,0006% da história terrestre.
   c) Mas, se compararmos com a época dos dinossauros, 165 milhões de anos, representará uma infinitésima fracção de tempo. 

Será que a dinâmica planetária não gerou outras oportunidades de “Correntes de Vida” ou Rondas? Engolidas pela frenética actividade geológica terrestre daqueles tempos de renovação e consolidação, e agora convertidas em magmas nos LLSVPs, aonde perdemos qualquer hipótese de verificação e confirmação científica?
De facto, esta ideia adquiriu substância em 2018, quando dois investigadores, nomeadamente Gavin Schmidt, director do Instituto Goddard e Adam Frank, astrofísico da Universidade de Rochester, sugeriram aquilo que ficou conhecida por Hipótese Siluriana (6), sobre a possível existência no nosso planeta há milhões de anos de uma civilização relativamente avançada. Tal hipótese não afirma que tal civilização tenha existido. Apenas constrói hipóteses de como poderíamos cientificamente detectar sinais de uma sociedade tecnologicamente próxima daquilo que poderiam ter sido, por exemplo, os estágios tecnológicos similares aos dos Séculos XVII ou XVIII, e que poderiam ter desaparecido completamente da memória actual da nossa civilização. Se uma civilização minimamente avançada tivesse surgido antes, digamos, há 100 milhões de anos, a maior parte das evidências físicas (como cidades e tecnologia) já teriam sido apagadas pela erosão, pela subducção tectónica e por outros processos geológicos. De facto, para além de alguns milhões de anos, tornam-se raros os registos geológicos acedíveis, e poucos fósseis não têm qualquer probabilidade de preservação. Também desapareceriam aquilo que poderia constituir fontes de pesquisa credível nos registos geológicos, como picos incomuns de CO₂ ou isótopos alterados, depósitos residuais de materiais sintéticos (ligas metálicas e outros materiais derivados de actividades industriais ou de mineração) ou algum impacto como uma extinção em massa semelhante àquela do Antropoceno.

Na verdade, o que hoje constatamos é que o Modelo Padrão da Física das Partículas não está completo; que se equacionam novos campos quânticos ligados à quantização do próprio espaço-tempo e da gravidade, numa tentativa de unificação urgente da Relatividade Geral com a Física Quântica; que a Consciência seja um constructo de per si, o motor fundamental na arquitectura do Cosmos; que o Big Bang esteja posto em causa pelas evidências observacionais profundas do telescópio James Webb; que mais de 90% dos constituintes do Universo, referidos como Matéria Escura e Energia Escura, não são conhecidos (aqui a escuridão só reflecte a nossa ignorância); que a história da humanidade tem retrocedido a par e passo com novas e impactantes descobertas arqueológicas (por exemplo Gobleki Tepe e a ligação ao impacto da última pequena idade do gelo do Younger Dryas); e que por conseguinte, a Cosmologia e a Astrofísica, bem como muitas outras ciências, enfrentam crises de crescimento, como nunca antes presenciadas, sendo que a cada passo dado na investigação em todos estes quadrantes do conhecimento surgem mais perguntas que soluções. 
Afinal, a Ciência no seu melhor!

Figura 6 –. Ilustra a tectónica de placas na formação planetária. Fonte: BENNU'S JOURNEY - Early Earth – Creative Commons Licence


Sendo Açoriano, não poderia deixar de citar Antero de Quental (1842-1891). No soneto Evolução, expressa magistralmente o percurso da Monada Humana pelos vários Reinos Naturais até ser o que é hoje. É a doutrina teosófica da Evolução, influenciado pelas obras de Helena Blavatsky e do 1º Visconde de Figaniére (1827-1908), Frederico Francisco Stuart de Figanière e Morão, considerado um dos fundadores da actual Teosofia Portuguesa, admirador e amigo chegado de H. P. Blavatsky, primo de Serpa Pinto, explorador das savanas africanas):

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade

                                    Antero de Quental, in "Sonetos"


Foi nosso propósito deixar pistas para futura reflexão, sabendo que a verdade de hoje é a ignorância do futuro, parafraseando Helena P. Blavatsky.


Notas e Bibliografia

(1) L. Pianiet al., Science 369, 1110 (2020).

(2) Briony H.N. Horgan, Ryan B. Anderson, Gilles Dromart, Elena S. Amador, Melissa S. Rice,
The mineral diversity of Jezero crater: Evidence for possible lacustrine carbonates on Mars,
Icarus, Volume 339, 2020.

(3) Chyba C, Sagan C (1992) Endogenous production, exogenous delivery and impactshock synthesis of organic molecules: An inventory for the origins of life. Nature 355:125–132.

(4) Helena P. Blavatsky, Doutrina Secreta, Volume II, Editora Pensamento, São Paulo.

(5) Deity, Cosmos and Man by Geoffrey Farthing, Published in the late 1900's, Edição Digital.

(6) OS UPANISHADS, Sopro Vital do Eterno, de acordo com a versão inglesa de SWAMI PRABAHVANANDA e FREDERICK MANCHESTER, Editorial Pensamento.
(7) UTTARA GITA (Iniciação de Arjuna), VYASA, Traduzido do sânscrito para o inglês por D. R. Laheri e do inglês para o castelhano por Federico Climent Terrer, versão digital em PDF.
(8) Schmidt GA, Frank A. The Silurian hypothesis: would it be possible to detect an industrial civilization in the geological record? International Journal of Astrobiology. 2019;18(2):142-150. doi:10.1017/S1473550418000095.



João Porto e Ponta Delgada, 20 de Fevereiro de 2025

sábado, 21 de dezembro de 2024

O Indescritível

 


Indescritível é aquilo que não é passível de descrever ou de descrição, considerando que descrição é achada aqui como a falta de palavras ou de linguagem, que conduz ao desconhecimento que não permite caracterizar ou resolver um evento ou fenómeno nos seus constituintes intrínsecos.

Normalmente partimos de um estado inicial ou encontramo-nos num estado final, mas o processo que medeia os dois poderá ser indescritível por falta de recursos técnicos de análise, por sua vez, nascidas de teorias que suportem a evolução entre os dois estados. As limitações da linguagem e das palavras para descrever um fenómeno levou a matemática a elaborar construções simbólicas cujo aprofundamento nos aproxima da sua resolução mas paradoxalmente nos leva a uma crescente dimensão desconhecida. Como diria Goethe, “Todo o perto se afasta”.

Poderíamos exemplificar com a actividade existente no cerne da matéria, no ambiente das partículas subatómicas onde é possível conhecer o estado inicial entre duas partículas que colidem e o seu estado final, o resultado dessa interacção, mas nada sabemos sobre o estado intermediário que se desenrolou. A nossa aproximação cautelosa à descrição do processo, sempre misterioso porque ligado à teoria dos campos quânticos, levou ao desenvolvimento dos Diagramas de Feynman e depois a uma concepção geométrica do Espaço de Hilbert (espaço euclidiano sem restrições dimensionais) designado por Amplituhedron, cuja natureza traduzida em linguagem matemática, torna-se esotérica para o comum dos mortais, não nos é permitida abordar aqui.

Dos Diagramas de Feynman também resultou uma melhor compreensão do processo quântico subjacente à emergência das designadas partículas virtuais de que fazem parte as anti-partículas. Estas surgem como evento de retrocausalidade onde a seta do tempo se inverte: vindas do futuro aniquilam-se com as partículas de carga contrária (as que vem do passado como evento normal da fenomenologia do dia-a-dia), como se um deus destruísse tão depressa quanto criasse, obliterando o acesso ao conhecimento deste processo intermédio.

Como diz Mestre Eckhart (1260-1328), citado por A. Huxley na Filosofia Perene, “Existem três coisas que impedem alguém de conhecer Deus. A primeira é o tempo, a segunda é a corporeidade e a terceira é a multiplicidade.”



Mestre Eckhart von Hochheim
Fonte: Wikipédia

Damos-lhe razão, se fizermos corresponder aquelas três categorias às características da própria dimensão material da Natureza ou do Cosmos. As partículas fermiónicas (os hadrões representados por protões e neutrões que formam o núcleo dos átomos e os electrões que o envolvem numa nuvem de probabilidades), constituintes da matéria, são caracterizadas por possuírem massa, carga e spin (ou momento magnético intrínseco e o que isso possa misteriosamente significar). Estamos a excluir, por enquanto, os bosões por serem as forças resultantes dos campos quânticos.

Primeiro, da massa surge a corporeidade, porque 99% da sua existência, defendem muitos e avançamos desde já, se poderá dever ao próprio “network de spins” que deriva da noção da quantização ou granularização do próprio espaço. O bosão de Higgs apenas contribui com a ridícula percentagem de 1% para a massa do protão, neste caso conferida directamente ao “núcleo duro”, aos Quarks que o constituem, se acreditarmos nas últimas investigações conduzidas por Sergei Voloshin, professor na Universidade Estadual de Wayne e membro do projecto ALICE do CERN (1).
Profundas consequências advirão derivadas desta quantização do Espaço-Tempo: ao nível cosmológico a existência do fenómeno gravítico sem a necessidade da existência de massa e, por consequência, a inexistência da teorizada Matéria Escura para explicar a “massa em falta” que hipoteticamente manteria a coesão das estruturas galáticas. Esta nova perspetiva deriva necessariamente da natureza comum entre massa, spin e carga, que agora exploramos. Sendo a sua origem comum, como nos conduz a milenar ideia subjacente à trilogia hinduísta/védica, tudo se encaixaria perfeitamente numa nova visão cosmológica.

Esta ideia, foi pressentida pela teoria MOND (Modified Newtonian Dynamics) ou Dinâmica Newtoniana Modificada, que sugere uma alteração à segunda Lei de Newton, acarretando no entanto sérios problemas ao princípio da conservação da energia. Foi recentemente explorada, em Junho de 2024, por Richard Lieu, professor de Física e Astronomia na Universidade do Alabama Huntsville (UAH), num trabalho intitulado “The binding of cosmological structures by massless topological defects”, publicado na conceituada Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Volume 531, páginas 1630 a 1636.

Contudo, esta alegação terá que esperar por confirmação entre nós com o projecto LISA (Laser Interferometer Space Antenna), idealizado e posto em marcha pela Agência Espacial Europeia e já anunciado em Janeiro de 2024, planeando o seu lançamento para o Espaço em 2035. Este projecto consta de uma constelação de 3 observatórios espaciais, em órbita em torno do Sol, formando entre si uma triangulação perfeita com 2,5 milhões de quilómetros de lado, ligados por potentes feixes laser, destinados a detetar ondas gravitacionais e as suas pegadas, ou memórias informacionais, no tecido do espaço-tempo. Tecnologia só possível no século XXI, fazendo uso das mais recentes descobertas nas áreas da inteligência artificial e possivelmente do emaranhamento quântico. Por esta altura será possível revelar a memória informacional do espaço-tempo, ou pelo menos um dos seus aspetos, e desvelar assim o conteúdo dos textos védicos que sugerem ser, à luz da atual ciência, uma ténue e finíssima estrutura mental akáshica suportada pela não-localidade e emaranhamento quânticos, um tecido de informação elaborado em éons mas perene, e da qual partilhamos em suma o fenómeno da Consciência. A ideia, já muito antiga, do Universo como ser vivo.

Deste modo reconciliaríamos a Relatividade einsteiniana com a sua visão de Localidade do Espaço-Tempo curvo, com a Mecânica Quântica com a sua visão de não-Localidade e da percepção da “acção instantânea” entre fenómenos. Esta visão foi validada pela previsão feita há 50 anos no quadro da unificação da Teoria dos Campos Quânticos (TCQ) com a Relatividade Geral (RG) e conhecida como a teoria do campo quântico do espaço-tempo curvo, através da deteção da radiação Unruh-Hawking no processo da aceleração de eletrões.

Aceitarmos a quantização do espaço-tempo como entidade própria de natureza quântica covariante, que se contem a si própria a todas as outros campos identitários, estruturada numa escala microcósmica pertencente às dimensões de Planck, onde o espaço 10-36 cm e o tempo 10-44 segundos são relativos, levar-nos-ia de encontro a uma matriz de “potencial de forma” (talvez os reinos dimensionais revelados e designados “Potências” em Pistis Sophia?) que se situariam para além do formalismo do Espaço-Tempo onde neste só conta a distância. O emaranhamento quântico permitiria a existência real dos teorizados “buracos de minhoca” da Cosmologia, fazendo prova definitiva do network de spins do espaço-tempo.

Depois a carga eléctrica, o fluir do tempo causal, positivo, do passado para o presente e o outro tempo retrocausal, negativo, do futuro para o presente; o tempo-espaço relativístico onde as cargas e o movimento (limitados à velocidade da luz) geram os potentes campos electromagnéticos que permeiam o Cosmos e o modelam num gigantesco Jiva energético. 
Como Jorge Luís Borges antevio ao afirmar: “A cada homem é dada, com o sonho, uma pequena eternidade pessoal que lhe permite ver o seu passado recente e o seu futuro próximo.” Afinal a história pequena e grande está repleta de casos de presciência!

Aquilo que chamamos de Providência mais não é do que a seta temporal da causalidade em funcionamento, seguindo a rota do passado-presente-futuro, que na ordem correta de fenómeno de localidade, gera o designado e presentido Destino. 

Como afirma Boécio, citado em Filosofia Perene por Aldous Huxley: “A Providência é a própria razão divina, que se livra de todas as coisas”, por outras palavras, a Localidade, fenómeno intrínseco à nossa dimensão, é a manifestação da Não-Localidade, teorizada por David Bohm com as suas variáveis ocultas e reforçada pela verificação experimental da Desigualdade de Bell, já contemplada em 2022 com Prémio Nobel por resolução de outro paradoxo (o do EPR – Einstein-Podolsky-Rosen).

Nada de novo acrescentamos se invocarmos o formalismo do Mecanismo de Page e Wootters (PaW) ao prever que o emaranhamento quântico deixa estático o estado temporal do universo, ou seja demonstra que não existe um “tempo quântico” em oposição ao tempo “clássico”, mas que existe apenas um único tempo manifestação do emaranhamento quântico. O tempo “clássico” é uma ilusão (2).

Huxley ainda acrescenta: “O corpo é sempre temporal, o espírito é sempre intemporal, e a psique é uma criatura anfíbia…”.

David Bohm
Fonte: Wikipédia

Finalmente o spin e a multiplicidade, porque aquele só permite assumir valores quantizáveis pré definidos.
Multiplicidade significa diversidade. A matéria está representada pelos elementos químicos conhecidos agrupados de forma ordenada na Tabela Periódica de Mendeleev pela sua configuração electrónica e número atómico, evidenciando a existência de grupos com comportamentos semelhantes nas suas propriedades químicas, formam até agora 118 elementos diferenciados que assim representam o reino da natureza material. O que os diferencia é exatamente o spin ou momento angular intrínseco, por ser inerente ao suposto movimento considerado de “rotação” dos eletrões (segundo muitos, mais toroidal do que de simples rotação), que por esse efeito, são fonte de campos magnéticos caracterizados por duas orientações possíveis, up (↑) e down (↓), indicando também que o eletrão parece mostrar um fenómeno de “rotação”, ainda mal compreendido, no sentido horário ou anti-horário do seu eixo. 
O spin, um número quântico designado por ms, está associado ao momento magnético da partícula, pode tomar valores inteiros ou fracionários. Por exemplo os electrões, protões e neutrões possuem um ms = -1/2 ou ms = +1/2, enquanto os bosões, de que são exemplo os fotões, a força nuclear fraca representada pelas partículas W+, W- e Z, possuem um ms = 1, 2, etc. 
É este misterioso número quântico magnético que obriga os electrões a disporem-se em torno do núcleo de todos os átomos em orbitais (que substituíram a concepção clássica e mecanicista das órbitas da física atómica), representando funções de probabilidade onde poderemos encontrar o eletrão. Esta orbitais, classificadas pelas letras s, p, d e f, são preenchidas de acordo com regras axiomáticas próprias de atos de sustentabilidade, tais como a Regra de Hund e do Príncipio de Exclusão de Pauli, que afirma que dois eletrões com o mesmo spin não podem ocupar a mesma posição. Assim são distribuídos e fazem surgir os “subníveis” por ordem crescente de energia.
É esta multiplicidade conferida pelo inexplicável e mal compreendido spin que fundamenta a estrutura da matéria nossa conhecida.

Em conclusão: este conjunto, construído afinal a partir de uma origem comum - o espaço granular, “rede informacional de spins”, foi-nos transmitido reflectido desde sempre no simbolismo do Yin/Yang, tal como na tríade hinduísta dos Trigunas, Tamas, Sattva e Rajas, envolvendo um ciclo espiral infindo de construção (sintropia), destruição (entropia) mas em equilíbrio no mundo da dimensão temporal, momento exíguo e passageiro da “brana” do presente, porque também possuidor de uma forte seta ascensional, que a mesma filosofia nos dá a conhecer sob a designação de Dharma, uma espécie de orientação de um eixo universal, um vetor, que só poderá ser também de natureza iminentemente magnética e informacional. Esta seta temporal existe por imposição kármica – fenómeno individual e coletivo de renormalização, derivada daqueles ciclos que vão construindo o Akasha.

Esta perspetiva, permitiria definitivamente a unificação da física quântica de Heisenberg e Schrödinger com a relatividade geral einsteiniana, e resolver a atual crise instalada. 

Em diferentes escalas, a estrutura dos espaços mórficos é de igual natureza do espaço granular que permeia o Cosmos, ambos “espuma de spins”, uma reflexo da outra, por inerência das três características das partículas: Massa, Spin e Carga ou filosoficamente falando, Corporeidade, Multiplicidade e Tempo. Precisamente as três componentes que não nos deixam passar a fronteira da ilusão (Maya) e ingressar na dimensão divina. Esta será possivelmente a Nova Dimensão para a qual faz caminho o Eu humano por imposição dhármica, o regresso às origens em éons.

Reforçamos esta ideia com o Livro I de Dzyan, ESTÂNCIA III, Capítulo 12 e, na qual inscrevemos em parêntesis, a nossa interpretação:

“Então Svabhâvat (Informação) envia Fohat (spin – momento magnético intrínseco) para endurecer os Átomos. Cada qual é uma parte da Tela. Refletindo o ‘Senhor Existente por Si Mesmo’ (o campo quântico covariante granular do espaço-tempo) como um Espelho (a fractalidade), cada um vem a ser, por sua vez, um Mundo.”

E ainda no Livro III das Estâncias (“Tratado Sobre Fogo Cósmico”, Estância XI:1, Capítulo 37) também se lê: 

“A roda da vida gira dentro da roda da forma exterior (estrutura topológica holográfica fractal). Circula a matéria de Fohat (o spin – momento magnético), seu fogo endurece todas as formas (dá forma à matéria). A roda invisível gira em rápidas revoluções (spin), dentro do lento invólucro externo (matéria), até que a forma se desgaste (até ao fim).”



Yin/Yang



Esta é também a natureza essencial dos seres vivos. Aldous Huxley em Filosofia Perene, numa dos seus profundos insigts, afirma: “No entanto, parece que o teste da inteligência cósmica comprova que, em algum momento durante a sua carreira biológica, toda a matéria viva, excepto os seres humanos, sucumbiram à tentação de assumir a forma mais imediatamente rentável, não a melhor. Através de um ato de algo semelhante ao livre-arbítrio, todas as espécies, exceto a humana, escolheram os retornos rápidos da especialização, o entusiasmo atual de ser perfeito, mas a um nível baixo. O resultado é que, estão todos no fundo dos becos sem saída evolutivos. Acrescentaram o equivalente biológico obscuro à Queda voluntária do ser humano à Queda cósmica da criação inicial e da sua manifestação múltipla temporal. Como espécie, escolheram a satisfação imediata do eu em vez da capacidade de reunião com o plano divino.”

Podemos assim, explorar as bases do panpsiquismo e dos incompreensíveis supostos fenómenos emergentes que nada explicam (a própria designação de “emergente” é simplista e não conduz a um construct). Afinal tudo possui algum nível de cogniscismo ou Informação matricial, organizada de forma fratal, tais formas geométricas de Escher, e que nos induz a pensar que o todo possa ser maior que a soma das partes, provavelmente por efeito de transições de fase orquestradas por ressonâncias vibracionais à escala de Planck (que poderiam ser alguns efeitos conhecidos, tidos como os denominados efeitos quânticos de Túnel, Casimir, Sobreposição e Emaranhamento). 


Exploração gráfica infinita de Escher
Fonte: Wikipédia

idealizado espaço mórfico granular, como campo quântico de spins, com a informação da topologia fractal revelada na organização toroidal e no triângulo de Pascal como se este reflectisse a constituição ternária védica (o triângulo é a primeira forma geométrica que estabelece uma superfície). Parece também estar biologicamente transposta nos microtúbulos neuronais onde são revelados processos de natureza quântica, imprevistamente verificados à temperatura ambiente, como defendem Sir Roger Penrose e Stuart Hameroff.

E, assumir que para além da “concha” estratigráfica (tipo cebola) do nosso espaço-tempo relativista, - que inclusivamente põe em causa a expansão acelerada do universo pelo fator atrativo de uma suposta energia escura (a célebre constante lambda), porque afinal o problema prende-se com os nossos relógios, e o tempo anda mais depressa quando afastado das grandes massas que o encurvam (3), - estaria o Brahman da filosofia hinduísta, onde o espaço-tempo não existe – o domínio do Akasha e dos pressentidos archetypos platónicos e das sincronicidades acasuísticas junghianas – afinal aquilo que pode ser um interface ou uma transição de fase com o Absoluto – o Indescritível, para nós o adimensional divino.



Notas e bibliografia

(1) https://www.symmetrymagazine.org/article/scientists-search-for-origin-of-proton-mass?language_content_entity=und.

(2) Caterina Foti, Alessandro Coppo, Giulio Barni, Alessandro Cuccoli & Paola Verrucchi, Time and classical equations of motion from quantum entanglement via the Page and Wootters mechanism with generalized coherent states, Nature Communications volume 12, Article number: 1787 (2021).

(3) Antonia Seifert, Zachary G Lane, Marco Galoppo, Ryan Ridden-Harper, David L Wiltshire, Supernovae evidence for foundational change to cosmological models, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters, Volume 537, Issue 1, February 2025, Pages L55–L60, https://doi.org/10.1093/mnrasl/slae112.

Aldous Huxley, Filosofia Perene, Alma dos Livros, 1ª edição Outubro 2024.

Jorge Luís Borges, Sete Noites, Quetzal editores, 1ª edição Setembro 2024.

Yoav Afik (1), Juan Ramón Muñoz de Nova, (1) Experimental Physics Department, CERN, 1211 Geneva, Switzerland, (2) Departamento de Física de Materiales, Universidad Complutense de Madrid, 28040 Madrid, Spain, Entanglement and quantum tomography with top quarks at the LHC, Eur. Phys. J. Plus, 25 August 2021.


                                                João G. F. Porto e Ponta Delgada, em dia de Solstício, 21/12/24

terça-feira, 20 de agosto de 2024

TERÃO AS PROPRIEDADES DA MATÉRIA A MESMA ORIGEM?


“Bhikkhus, suponham que uma grande massa de espuma estivesse flutuando nesse rio Gânges e um homem com boa visão a visse, observasse e investigasse com cuidado, e esta lhe pareceria vazia, oca, sem substância. Pois qual substância poderia ser encontrada numa massa de espuma? Do mesmo modo, bhikkhus, toda e qualquer forma, quer seja do passado, futuro ou presente; interna ou externa; grosseira ou sutil; comum ou sublime; próxima ou distante: um bhikkhu a vê, observa e investiga com cuidado, e ela lhe parece vazia, oca, sem substância. Pois qual substância poderia ser encontrada na forma?”

Budismo Theravada, Acesso ao Insight, Sutta “Espuma”, Samyutta Nikaya XXII.95, Phena Sutta



Vamos assumir por princípio, e a Física não nos desmentirá, que os Campos Quânticos estão intimamente ligados às características apresentadas pelas partículas subatómicas que consideramos serem fundamentalmente em número de três, a saber: 

- Massa
- Spin
- Carga

As partículas fermiónicas, os quarks e os electrões, aquelas constituintes das bases da matéria ordinária, manifestam as suas características porque lhe são conferidas incontornavelmente pelos Campos Quânticos. São elas a manifestação resumida da existência desses campos ou a forma que estes utilizam para conferir a existência e a realidade conhecidas. Na dimensão dos acontecimentos quânticos, todas as partículas do Modelo Padrão, os fermiões e os bosões, emergem de flutuações verificadas num campo que poderemos definir por uma região do espaço delimitada onde existem grandezas matemáticas, vectoriais e escalares, distribuídas e mensuráveis que estabelecem relações íntimas com aquele espaço por uma função de onda. Ou seja, nesta dimensão todas as partículas no estado fundamental não excitado são ondas que emergem do vazio como partículas quando transferem a sua energia. É o que faz o Grande Colisionador de Hadrões, o maior instrumento concebido pelo Homem.

Voltemos no entanto àquelas características.

Massa, aquela característica transmitida pelo Campo Higgs – que consideramos por analogia ser o Antakarana védico, que tal como é descrito nos Puranas, permite a “ligação” daqueles “campos” superiores que constituem a Constituição Ternária à própria matéria. No seu conjunto formam a Constituição Septenária. 
São aqueles “campos” que similarmente definem o conceito de Vazio, que a Física actual encara como uma superposição de Campos Quânticos, uma autêntico caldo de flutuações quânticas: a denominada energia do ponto zero, a energia do vácuo no espaço.
O papel de um deles, conferido pelo Bosão de Higgs, seria a concretização do meio ou do veículo, que permitisse a existência posterior do Spin e da Carga, o que leva à confirmação que estes dois só existem pela presença da Massa ou Energia, relação dada pela conhecida equação de Einstein E=mc2. Ou seja, uma forma de dar corpo à matéria fermiónica. 

Assim, na ordem do surgimento da realidade material, primeiro surgem os Campos Quânticos e só depois as partículas, assunto confirmado pelo fenómeno sobejamente conhecido e experimentado mas pouco entendido do colapso de onda.
Por essa razão o átomo é sobretudo formado por Vazio: 99,99% e pela mesma razão o carácter dualístico onda vs partícula.
Deste modo, é compreensível que no próprio microcosmo se juntem o Ser e o Não-Ser, afinal reflexo do que está igualmente a uma escala muito acima, na própria estrutura do Universo: o grande Vazio da Energia Escura, a grande força Casimir presente nesta escala, que tudo permeia e que nesta nossa dimensão material, onde prolifera a localidade, origina o tecido do Espaço-Tempo sede da não-localidade (talvez afinal a pressentida e nunca encontrada Matéria Escura).

Segundo Stephen Hawking, o aumento da massa do Bosão de Higgs em 1 octodecilhão de anos terrestres (10 elevado a 58) levaria à destruição do Universo, pela criação de uma bolha de vácuo de 100 mil milhões de GeV – afinal o retorno às origens! O Vazio no Princípio e no Fim, traduzida em infindáveis Bigs Bangs, como também advoga a moderna teoria da Cosmologia Cíclica Conforme (CCC) de Roger Penrose.
Neste aspecto muito pouco se evoluiu se tivermos em conta os éons de tempo inscritos nos Ciclos de Pralayas e Manvataras, de expansões e contracções universais expressos em Kalpas.
Segundo os Puranas (Vishnu Purana e Bhagavata Purana) um Kalpa são cerca de 4,32 mil milhões de anos, um dia de Brahma (corresponde a um dia e a uma noite, ou 2 Kalpas). Ainda de acordo com o Mahabharata, 12 meses de Brahma (360 dias/noites de Brahma) constituem o seu ano e 100 anos um ciclo de vida do Universo, um Maha-kalpa: 312 trilhiões de anos terrestres.
Em todas as cosmogonias apenas estes ciclos são comparáveis àquele octodecilhão.

Chegados a este ponto, sentimo-nos corroborados pelas recentes descobertas do telescópio espacial James Webb. Foram nada menos que cinco as surpresas descobertas a apenas 300 milhões de anos do suposto início do Big Bang, que fazem recuar de forma incomensurável a idade deste Universo, e que passamos a enumerar:
 * Existência de clusters compactos de galáxias a apenas 650 milhões de anos;
 * Galáxias completamente evoluídas, apresentando estruturas espirais;
 * Formação de galáxias logo no inicio;
 * Deteção de milhares de Buracos Negros;
 * Galáxias no fim de vida onde a formação estelar cessou há 10 mil milhões de anos num Universo que se supõe ter 13,8 mil milhões de anos.

Este assunto do Vazio sempre foi preocupação de filósofos e físicos. Para Aristóteles a ideia de Éter e da Quintessência prevalecia sobre a inexistência do vazio absoluto (Kénon), separado dos corpos. Pelo contrário Kant opunha-se a Aristóteles ao conceber um vazio, forma a priori da sensibilidade, sem corpos, forma arquetípica do Absoluto. Já Berkeley permaneceu na linha de Aristóteles.

Mas, ainda sobre o Vazio, não me coíbo de referir esta passagem de Asclépio III de Hermes Trismegisto : “Porém quanto ao vazio, que muitas pessoas consideram de grande importância, sustento que isso do vazio não existe, nem pode ter existido no passado, nem nunca existirá. Pois todas as diversas partes do Cosmos estão completamente cheias de corpos de diversas qualidades e formas, tendo cada uma o seu próprio contorno e magnitude; e portanto, o Cosmos como um todo, está cheio e completo.” 

O Espaço que não é de todo vazio, por conter as galáxias e todos os Campos Quânticos (sendo ele próprio provavelmente, como vimos, um Campo Quântico Covariante que contem todos os outros), alberga também todos os universos, na concepção actual dos multiversos. E aqui assume a designação de Kosmos. Poderíamos comparar este Kosmos infinito, onde se desenvolvem os multiversos, ao oceano cujas ondas se desfazem em milhões de bolhas na espuma, resultado dos colapsos das ondas. O processo por detrás é o mesmo: a entropia encontra nas bolhas que constituem as espumas, ou nos multiversos em bolhas que povoam o Kosmos, a forma mais eficaz de dissipar a energia, pois a bolha é a área de maior superfície possível. Será pela qual que a entropia realiza de forma eficiente a “desordem” num sistema termodinâmico, como é globalmente o próprio Kosmos: um estado em equilíbrio no seu conjunto onde os fluxos versus refluxos – Pralayas vs Manvataras, são um processo espontâneo. 

“Bhikkhus, suponham que é o outono, quando estivesse chovendo e caindo pesadas gotas de chuva, uma bolha de água surgisse e desaparecesse na superfície da água. Um homem com boa visão a visse, observasse e investigasse com cuidado, e esta lhe pareceria vazia, oca, sem substância. Pois qual substância poderia ser encontrada numa bolha de água? Do mesmo modo, bhikkhus, toda e qualquer sensação, quer seja do passado, futuro ou presente; interna ou externa; grosseira ou sutil; comum ou sublime; próxima ou distante: um bhikkhu a vê, observa e investiga com cuidado, e ela lhe parece vazia, oca, sem substância. Pois qual substância poderia ser encontrada na sensação?”. Cfr. Budismo Theravada, Acesso ao Insight, Sutta “Espuma”, Samyutta Nikaya XXII.95, Phena Sutta.


Interessante verificar que a gravidade tem sido considerada pela física mais recente uma força entrópica, pois carrega uma matriz relacional de informação, sempre associada como fenómeno emergente de acordo com a posição/geometria/massa dos corpos materiais. Deste modo não poderá ser considerada uma força fundamental de interacção independente mas um Campo Quântico que contem todos os outros e os próprios corpos materiais.

Mas, não nos percamos! Voltemos àquelas três características enunciadas.

Outra será o Spin, que é dado pelo campo do espaço-tempo – que faremos corresponder ao conceito de Budhi, voltando às designações sânscritas milenares da filosofia védica e especificamente à sua trilogia.
 Agora faremos prevalecer a ideia de granularidade do próprio Espaço-Tempo, descortinada na “espuma de spins” pelos teóricos da Gravidade Quântica em Laços (GQL), fundamentada ou assente numa matriz de Informação que muitos ousam extrapolar em Qubits – que poderemos comparar ao Atma, no vértice da referida trilogia. 
Informação em todo o lado conferida pelo Spins. Recentemente, teorias como a TSE (Toroidal Solenoidal Electron) e a STEM (Spin Torus Energy Model) têm feito progressos assinaláveis, alicerçadas em demonstrações matemáticas que conseguem explicar todos os fenómenos ligados ao campo eléctrico e magnético, à supercondutividade e em geral a todos os fenómenos de natureza electromagnética. 
Estes dois modelos referem-se à existência de um núcleo de energia concentrada em desenvolvimento toroidal a velocidades quase lumínicas 

Proposta de estrutura topológica holográfica-fractal do electrão de spin ½. O Ouroboros microcósmico.


Será esta Informação que por sua vez induzirá ao aparecimento da forma (aspecto geométrico), que se reproduzirá sustentadamente de forma fractal – o Manas, terceiro ápice daquele triângulo concepcional hinduísta. Este conceito de fractalidade, base da Geometria Hiperbólica de Escher e da Teoria CCC, vai manifestar-se nas referências feitas tradicionalmente na geometria sagrada, a Flor da Vida, projectada na simbologia da Vescica Piscis (símbolo ancestral do antigo Egipto do Olho de Hórus) assim como a Árvore da Vida e a numerologia cabalística e os seus Sephiroths inferiores e superiores.

Para Platão, toda a matéria é composta por triângulos combinados. O três representa estabilidade. Estabelece os princípios de harmonia e equilíbrio em um mundo dual e simétrico. Por isso, é usado para representar o aspecto Divino, através da Trindade, presente em várias culturas:

Cristianismo: Pai, Filho e Espírito Santo
Hinduísmo: Brahma, Vishnu e Shiva (trimurti), 3 Gunas
Egito: Ísis, Osíris e Hórus
Celtas: Virgem, Mãe e Anciã (Aspectos da Mãe Terra)
Espiritismo: Deus, Espírito e matéria.
Ainda poderíamos citar o padrão fractal que está na base da tetráctis e da década pitagórica.

Em Resumo, a GQL representa um estado quântico da geometria do espaço (Geometrodinâmica) à escala de Planck, 10 elevado a -33 metros, onde o triângulo (a disposição espacial de 3 pontos que gera uma superfície) poderá ser a sua fonte estrutural, tal como os triângulos de Sierpinski ou de Pascal na origem da Sequência de Fibonacci - ϕ (Phi) =1,6180339887...etc.

Na matemática os fractais surgem como belos padrões que se repetem infinitamente, gerando o que parece impossível: uma estrutura que possui uma área finita, mas um perímetro infinito. Constantes matemáticas como Phi, Pi, Alfa (1/137) são a manifestação escondida destes padrões na realidade nossa conhecida.

Representação computacional gráfica simulando a Espuma de Spins ou Spin Network 
de uma função de onda molecular


O “entanglement” ou emaranhamento prova-o. Ele existe como fenómeno de não-localidade porque existe um meio de transmissão instantâneo onde a luz não é o limite. 
Contudo existem outros fenómenos que se desenvolvem e são limitados pela velocidade da luz. Sempre que acontece um “colapso de onda” num hiper colisionador de hadrões como aqueles presentes nos Buracos Negros ou nos Quasares e nos Pulsares, que fazem vibrar o tecido do Espaço-Tempo, manifestam-se as “ondas gravitacionais” à escala local do Universo. Este “colapso de onda” gerado por exemplo pela colisão de dois Buracos Negros desencadeia um efeito local limitado à velocidade da luz traduzido em “ondas gravitacionais”: o Universo local em vibração.
Ou seja a Constante Gravitacional é o fenómeno que sustem a matéria assim como a Constante de Coulomb sustem os fenómenos eléctricos. Como veremos as suas fórmulas matemáticas são idênticas e as suas Constantes são tudo menos constantes.

No conjunto fomam o Não-Ser taoista de Lao Tzu, o Vazio formado por Campos Quânticos Covariantes, que se contem a si próprios e que vão conter outros campos quânticos ligados à estrutura da matéria: os campos das forças nucleares forte e fraca e a electromagnética.

 "O vaso é modelado com argila
Mas é o seu espaço vazio que o torna útil"
                                               Tao Te Ching, Lao Tzu

As ondas gravitacionais são o próprio campo do espaço-tempo em vibração ou o colapso de onda do espaço-tempo (encarado matematicamente como Espaço de Hilbert) e a Radiação Hawking é a revelação da natureza quântica do espaço-tempo.

O conteúdo do espaço-tempo permeado por Campos Quânticos onde proliferam Spins.


Por sua vez, acreditamos que o “entanglement” como fenómeno quântico foi visionado na filosofia vedanta e consubstancia o conceito Akashico.
“Akasha pode ser definida em poucas palavras: é a alma universal, a Matriz do Universo, a “Mysterium Magnum” a partir da qual tudo o que existe nasce por separação ou diferenciação. É a causa da existência; preenche todo o Espaço infinito; é o próprio Espaço, no sentido conjunto dos sextos e sétimos princípios.”Cfr. “Os Manuscritos Perdidos da Loja Blavatsky”.

“Bhikkhus, suponham que um mágico, ou o aprendiz de um mágico, estivesse fazendo um truque de mágica numa encruzilhada. Um homem com boa visão visse, observasse e investigasse aquilo com cuidado, e aquilo lhe pareceria vazio, oco, sem substância. Pois qual substância poderia ser encontrada num truque de mágica? Do mesmo modo, bhikkhus, toda e qualquer consciência, quer seja do passado, futuro ou presente; interna ou externa; grosseira ou sutil; comum ou sublime; próxima ou distante: um bhikkhu a vê, observa e investiga com cuidado, e ela lhe parece vazia, oca, sem substância. Pois qual substância poderia ser encontrada na consciência?”. Cfr. Budismo Theravada, Acesso ao Insight, Sutta “Espuma”, Samyutta Nikaya XXII.95, Phena Sutta. 


Façamos finalmente uma incursão pela última característica.

A Carga é dada pelo campo electromagnético – que se prende ao conceito hinduísta Jiva. É a manifestação sob a forma magnética bipolar do spin – do espaço-tempo, nas partículas, na matéria fermiónica.

Porque há algo em comum entre o espaço-tempo e o Spin. O que é comum está presente em duas Leis: “a força diminui 4 x sempre que a distância passa para o dobro”. 
O que é comum é o conceito de “distância” ou ESPAÇO. Ou seja a gravidade (espaço-tempo curvo com Einstein) e a electricidade (campo electromagnético com Faraday) são dois aspectos da mesma coisa: o campo quântico em “laços“ do espaço-tempo.
O Spin (energia sob a forma de momento magnético) define as cargas e a “espuma de spins” define o tecido do espaço. Ambos configuram uma geometria Toroidal.
O espaço e a lei do inverso do quadrado da distância – coisas antigas de 1687 (Newton) e 1783 (Coulomb), surgem aplicadas na gravitação mas também na electricidade, na Lei de Coulomb. Ambas usam a mesma fórmula:

  

No entanto a diferença entre as duas forças é abissal: 1 : 4,17 x 10 elevado a 42 ou 4 170 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000, apesar da sua origem ser comum, exactamente a mesma razão entre os diâmetros do Universo e de um protão. 

Como disse John Archibald Wheeler: “A massa diz ao espaço como curvar-se, e o espaço diz à massa como mover-se” e este movimento gera e condiciona fortes campos electromagnéticos.

Em conclusão (de forma apressada): afirma o físico teórico Carlo Rovelli: 
“ Os campos quânticos covariantes representam a melhor descrição que temos hoje do apeiron (Absoluto Infinito), a substância primordial que forma o todo, colocada em hipótese pelo primeiro cientista e primeiro filósofo, Anaximandro.” - Rovelli, Carlo, A Realidade não é o que parece – a natureza alucinante do universo, Contraponto, 1ª Edição, Outubro 2019.

Referências mais antigas existem. Em consonância com o 2º Axioma do Kaibalion de Hermes Trismegisto/Toth (1300 a.C.), conhecido como Princípio da Correspondência:
“O que está em cima é como o que está em baixo e o que está em baixo é como o que está em cima”, ou ainda como afirmou Richard Feynman em 1964 nas Conferências Messenger: “A Natureza utiliza longos fios para tecer os seus padrões, mas os bocados mais pequenos permitem revelar a estrutura de toda a tapeçaria.”

Outras ainda fazem-nos citar o ancestral Livro de Dzyan, onde realçamos em itálico as respectivas correspondências que atrevemos evidenciar.
No Livro III das Estâncias (“Tratado Sobre Fogo Cósmico”, Estância XI:1, Capítulo 37) também se lê: 
“A roda da vida gira dentro da roda da forma exterior (estrutura topológica holográfica fractal). Circula a matéria de Fohat (o spin – momento magnético), seu fogo endurece todas as formas (dá forma à matéria). A roda invisível gira em rápidas revoluções (spin), dentro do lento invólucro externo (matéria), até que a forma se desgaste (até ao fim).” 
E ainda no Livro I. ESTÂNCIA III, Capítulo 12:
“Então Svabhâvat (Informação) envia Fohat (spin – momento magnético) para endurecer os Átomos. Cada qual é uma parte da Tela. Refletindo o ‘Senhor Existente por Si Mesmo’ (o Campo Quântico granular do Espaço-Tempo) como um Espelho (fractalidade), cada um vem a ser, por sua vez, um Mundo.”

  “Este Universo é uma árvore que existe eternamente, com as suas raízes voltadas para cima (o ternário) e seu galhos espalhados embaixo (o quaternário). A raiz pura é Brahman, o imortal, em quem os três mundos têm a sua existência, a quem ninguém pode transcender, que é verdadeiramente o Eu. Todo o Universo veio de Brahman e se move em Brahman.” Upanishad III, Katha.

Constituição Septenária à luz do Modelo Padrão


Tendo em conta este modelo da Constituição Septenária, acreditamos que permitiria:
 
1. Reconciliar a Relatividade einsteiniana com a sua visão de Localidade do Espaço-Tempo curvo, com a Mecânica Quântica com a sua visão de Não-Localidade e de acção instantânea entre fenómenos. Esta visão foi validada pela previsão feita há 50 anos no quadro da unificação da Teoria dos Campos Quânticos (TCQ) com a Relatividade Geral (RG) e conhecida como a teoria do campo quântico do espaço-tempo curvo, através da detecção da radiação Unruh-Hawking no processo da aceleração de electrões.

2. Aceitar a quantização do Espaço-Tempo, em dimensões de Planck onde o espaço 10-36 cm e o tempo 10-44 segundos são relativos, criando uma matriz de “potencial de forma” (as reveladas e designadas “Potências” em Pistis Sophia?) que se situam para além do formalismo do Espaço-Tempo onde conta a distância.

3. Poder explicar a violação da indivisibilidade da carga elementar nos quarks (com cargas eléctricas quantizadas em +2/3 e -1/3), apesar de estes se apresentarem em conjuntos de hadrões e nas quasipartículas, apesar de não serem verdadeiramente partículas.

4. Verificar a não existência de objectos separados e independentes. A dualidade é aparente e tudo está interligado, tal Uroborus ou Yin Yang. 

5. Assumir que para além da “concha” estratigráfica (tipo cebola) do nosso espaço-tempo relativista, estaria o Brahman da filosofia hinduísta, onde o espaço-tempo não existe – o domínio do Akasha e dos archetypos platónicos e junghianos – um interface com o Absoluto.

Gostaríamos ainda de retirar mais algumas conclusões, agora noutros domínios:

1. A evolução biológica envolveu sempre a conquista de espaços mórficos sempre mais organizados, onde a geometria espacial molecular tida como a forma como os átomos estão espacialmente dispostos na molécula, resulta da teia de Spins entre as partículas sub-atómicas e o próprio espaço granular.

2. A explicação das bases do panpsiquismo e dos incompreensíveis fenómenos emergentes que nada explicam. Afinal tudo possui algum nível de cogniscismo ou Informação matricial que nos induz a pensar que o todo possa ser maior que a soma das partes, provavelmente por efeito de transições de fase orquestradas por ressonâncias vibracionais à escala de Planck (que poderiam ser alguns efeitos conhecidos, como os efeitos Túnel, Casimir, Sobreposição e Emaranhamento). 

3. Ligação definitiva dos aspectos proto-cognitivos ao espaço mórfico granular como campo quântico de Spins com a informação da topologia fractal revelada na organização toroidal e no triângulo de Pascal como se este reflectisse a constituição ternária védica, biologicamente transposta nos microtúbulos neuronais onde são revelados processos de natureza quântica.

4. Unificação da física quântica de Heisenberg e Schrödinger com a relatividade geral einsteiniana.  Em diferentes escalas, a estrutura dos espaços mórficos é de igual natureza do espaço granular do universo, ambos “espuma de spins”, a construtora das três características das partículas: Massa, Spin e Carga.
 
Propostas pretensiosas de unificação do Universo (ou dos universos), da Física e da Vida, do micro e do macrocosmo.


João Porto, Ponta Delgada, 20 de agosto de 2024.

Quando o Vazio deixa de ser vazio

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